- O herói e o vilão - O mapa das gorduras - Cardápio anti-colesterol
Pouco tempo atrás, altos índices de colesterol eram relacionados apenas a adultos na faixa etária dos 50 anos. Mas, nos últimos anos, o problema está ficando cada vez mais comum entre adolescentes e até mesmo crianças. Isso vem ocorrendo principalmente em função do alto consumo de alimentos ricos em gordura saturada, como fast food e produtos industrializados, que elevam as taxas de colesterol no sangue.
O colesterol é um tipo de gordura produzida pelo fígado que atua na produção de hormônios e vitamina D, entre outras funções. O corpo produz cerca de 70% da quantidade necessária de colesterol, e o restante é obtido pela ingestão de alimentos de origem animal, que também são fontes de colesterol. No entanto, o consumo exagerado desses alimentos - e de alimentos ricos em gordura saturada - faz com que haja excesso dos níveis de colesterol no organismo. Aí é que mora o perigo.
O colesterol em excesso adere às paredes das artérias, formando placas de gordura que impedem a passagem do sangue (arteriosclerose), aumentando o risco de doenças cardiovasculares como infarto do coração ou derrame. Todo esse processo ocorre gradualmente, sem provocar sintomas, o que explica o descuido da população em relação a esse problema. A Sociedade Brasileira de Cardiologia revelou recentemente uma pesquisa que mostra que, dos 9,2% de brasileiros que têm o diagnóstico de colesterol alto, 87,5% não fazem nenhum tipo de tratamento.
A maioria só percebe os prejuízos do excesso de colesterol quando o "estrago" já está feito. Muitos daqueles que têm infarto afirmam que nunca sentiram nenhum sintoma antes e acreditavam ser totalmente saudáveis. As doenças cardiovasculares têm sido a principal causa de morte no Brasil nos últimos anos, e a maior parte desses óbitos poderia ser evitada através da identificação e controle dos fatores de risco, dentre eles o colesterol alto.
Antigamente, os médicos recomendavam que o primeiro exame para verificar os níveis de colesterol fosse feito aos 20 anos de idade. Mas, hoje em dia, muitos pediatras têm solicitado o exame a crianças e adolescentes. Se o aumento do colesterol é identificado já na infância, é possível prevenir o comprometimento das artérias e outras lesões que, na fase adulta, aumentam consideravelmente a chance de problemas cardíacos e vasculares.
O herói e o vilão
O LDL ("colesterol ruim") e o HDL ("colesterol bom") são na verdade lipoproteínas que transportam o colesterol pela corrente sanguínea. O LDL é uma lipoproteína de baixa densidade que transporta o colesterol até os tecidos periféricos. Quando há excesso de colesterol, o LDL acaba depositando-o nas paredes das artérias. Já o HDL leva o colesterol ao fígado para ser eliminado. Os níveis de colesterol total no sangue nunca devem ultrapassar 200 miligramas por decilitro, sendo que a quantidade de LDL deve sempre estar abaixo de 130 mg/dl e o HDL, acima de 40 mg/dl.
É importante desfazer o mito de que somente pessoas obesas têm colesterol alto. Pessoas magras que adotam uma alimentação inadequada também podem apresentar altos índices de colesterol. A obesidade é, sem dúvida, um fator agravante para problemas relacionados ao coração, mas isso não quer dizer que os esbeltos estejam livres desse problema.
Adotar uma alimentação saudável é o passo mais importante para manter os níveis de colesterol dentro do limite. A prática de exercícios físicos ajuda a elevar o HDL, assim como a ingestão de derivados da uva (suco ou vinho). Mas, nada disso adianta se não houver redução do consumo de alimentos ricos em colesterol e gordura saturada. Em alguns casos, também é necessária a administração de medicamentos para controlar o colesterol.
É importante salientar que algumas pessoas, mesmo adotando hábitos de vida saudáveis, também podem apresentar taxas elevadas de colesterol, devido a problemas genéticos responsáveis por deficiências nos receptores de LDL. Diabetes, alterações na tireóide e doenças no fígado também podem causar desequilíbrio nos níveis de colesterol.
O mapa das gorduras
Por que batata frita é bem mais gostosa do que batata assada? Por que tem gordura! As gorduras intensificam o sabor, a textura e o aroma dos alimentos, tornando-os mais apetitosos. E, como são digeridas mais lentamente, ainda garantem maior sensação de saciedade. Ninguém resiste a essas armadilhas! Mas, como já sabemos, alguns tipos de gorduras podem prejudicar a saúde. Conheça as gorduras e saiba quais você e sua família devem evitar:
Gordura Saturada - presente em produtos de origem animal, é sólida à temperatura ambiente e aumenta o LDL. Encontra-se em grande quantidade em frutos do mar, carnes vermelhas, gema de ovo, leite e derivados. As únicas exceções de produtos de origem vegetal que têm gordura saturada são o óleo de dendê e a banha de coco.
Gordura Insaturada - presente em produtos de origem vegetal, são líquidas à temperatura ambiente e não oferecem risco à saúde. Existem duas categorias: as poliinsaturadas (óleos de soja, girassol, milho, algodão, gergelim e peixes de água gelada, como salmão, truta, bacalhau e sardinha), e as monoinsaturadas (óleo de canola, amendoim, azeite de oliva e frutas oleaginosas como caju, amêndoa, castanha e avelã). As gorduras insaturadas diminuem o LDL e algumas ainda podem aumentar o HDL. Mas, é bom lembrar que esse tipo de gordura é rico em calorias e por isso também deve ser ingerido moderadamente. Além disso, quando submetidas a altas temperaturas, elas perdem suas propriedades, o que explica o fato das frituras não serem saudáveis.
Gordura "Trans" - é a chamada gordura vegetal hidrogenada, utilizada na confecção de produtos industrializados como biscoitos, chocolates, salgadinhos, sorvetes, margarinas, glacês. Originalmente, é uma gordura de origem vegetal, líquida, que recebe hidrogênio em alta pressão e temperatura para ganhar consistência sólida. A gordura "trans" aumenta o LDL e os triglicérides - um outro tipo de gordura que também aumenta o risco de arteriosclerose - e por isso também é outra inimiga da saúde.
Cardápio anti-colesterol
Para que seu filho não seja um forte candidato a ter problemas cardiovasculares no futuro, é preciso cuidar da sua alimentação, evitando a oferta de alimentos que contêm colesterol ou gordura saturada em grande quantidade. Mas, lembre-se de que você não deve eliminar nenhum alimento do cardápio dele, mas apenas moderar o consumo daqueles que não são muito saudáveis.
PREFIRA |
EVITE |
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queijo
branco, peixe, peito de frango, carnes grelhadas ou assadas, produtos
light, verduras, legumes, cereais, grãos, leite e iogurte desnatado,
frutas, sucos naturais |
queijos
amarelos, miúdos, carne vermelha, frutos do mar, frituras, bebida
alcoólica, doces, gema de ovo, creme de leite, manteiga, produtos
industrializados, refrigerantes, fast food e embutidos |
Para se ter uma idéia, as gorduras saturadas devem ser responsáveis por apenas 10% do consumo diário de calorias de qualquer pessoa. Em média, uma criança de 10 anos deveria ingerir 2.000 calorias por dia. Levando-se em conta que um grama de gordura tem 9 calorias, ela não deveria consumir mais do que 22 gramas de gordura saturada por dia. Em relação ao colesterol, o ideal é que o consumo diário não ultrapasse 200 mg.
No entanto, é importante reiterar que toda criança é um ser em fase de crescimento e por isso não deve fazer nenhum tipo de regime nem sofrer restrições alimentares sem indicação médica. Além disso, o consumo de calorias deve ser proporcional ao gasto. A necessidade calórica de uma criança que se exercita muito ou que pratica esportes é diferente de uma criança sedentária da mesma idade.
Compare, a seguir, a quantidade de colesterol e gordura saturada presente em alguns alimentos. Na embalagem de todos os produtos, é obrigatório haver uma tabela nutricional que indique a quantidade de colesterol e de gorduras saturadas. Essa quantidade pode variar conforme o fabricante do produto. Por isso, fique de olho na hora de fazer as compras! Além de buscar o menor preço, privilegie também as marcas mais saudáveis.
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ALIMENTO
|
COLESTEROL(mg)
|
GORDURA
SAT.(g)
|
|
filé de pescada (100g)
|
0
|
0
|
|
camarão (110g)
|
137,5
|
0
|
|
salsicha
(50g)
|
29
|
3,5
|
|
lingüiça
calabresa (60g)
|
20
|
9
|
|
peito de frango (100g)
|
52
|
2,5
|
|
baby
beef (100g)
|
125
|
2
|
|
filé mignon (100 g)
|
95
|
9
|
|
1 hambúrguer bovino
industrializado (56g)
|
23
|
3,5
|
|
batata frita
industrializada (200g)
|
0
|
2,5
|
|
chocolate ao leite
(30g)
|
5
|
5
|
|
1 copo de iogurte
natural (200g)
|
25
|
4
|
|
queijo parmesão (30g)
|
30
|
6
|
|
biscoito recheado de
chocolate (30g)
|
0
|
3,5
|
|
creme
de leite (25g)
|
20
|
4
|
|
manteiga
(14g)
|
35
|
7
|
|
leite tipo A
semi-desnatado (200ml)
|
15,2
|
2
|
|
1 Big Mac
|
70
|
9
|
Fontes:
Sociedade Brasileira de Cardiologia - www.cardiol.br
Agência Nacional de Vigilância Sanitária - www.anvisa.org.br
Tudo o que você precisa sabe sobre nutrição na educação de suas crianças, de Frederico Costacurta, Ana Lúcia Cunha de Freitas Costacurta e Ana Cláudia Storani C. Abbá - Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz
Essencial - Um guia prático de alimentação e saúde: Colesterol sem segredos - Editora Nova Cultural.
Publicado pela primeira vez em 03/09/2004
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