Está chegando a estação da catapora!

Por Carla Oliveira
 



- Tratamento e outros cuidados
- O melhor é prevenir!


A catapora, também chamada de varicela, é uma doença infecto-contagiosa provocada pelo vírus varicela zoster, e atinge principalmente crianças de 5 a 9 anos de idade. Mas, a doença também pode ocorrer em crianças pequenas ou em adultos e, nesses casos, as complicações podem ser piores. Curiosamente, o número de casos de catapora é maior entre o final do inverno e o início da primavera.

O período de incubação da catapora, contado a partir do primeiro contato com o vírus até o aparecimento dos sintomas, é de 14 dias. O sinal característico da catapora são as pequenas bolhas (vesículas) que aparecem subitamente pelo corpo, em surtos, e causam muita coceira. No início, surgem manchas avermelhadas na pele, que em seguida se transformam em bolhas. Depois que as bolhas se rompem, forma-se uma crosta que após alguns dias se desprende, podendo ou não deixar cicatriz.

Geralmente, antes da erupção das bolhas, ocorre febre. Outros sintomas que costumam aparecer são: perda de apetite, dor de cabeça e cansaço. As bolhas podem atingir também as mucosas, oferecendo perigo para a visão quando se instalam na córnea do olho. A quantidade de bolhas varia muito e pode chegar a 500 em algumas pessoas.

Tratamento e outros cuidados

O período de contágio da catapora engloba os dois dias que antecedem o aparecimento das bolhas até que todas se transformem em crostas, o que pode levar cerca de dez dias. Depois desse ciclo, a doença desaparece sozinha. As medicações utilizadas nesse período apenas amenizam os sintomas, como febre, coceira ou dor. Aspirina ou outros remédios à base de ácido acetil-salicílico (AAS) nunca devem ser tomados por quem está com catapora, pois em tal condição essa substância pode provocar insuficiência hepática e coma (Síndrome de Reye).

A criança que está com catapora não deve ir à escola nem ter contato com outras crianças - ou adultos que não tiveram doença - enquanto não estiver totalmente curada. É importante também não deixar que a criança coce as lesões nem estoure as bolhas, pois ela pode acabar provocando uma infecção secundária. A exposição ao sol é vetada, mesmo alguns dias após o desprendimento das crostas, para evitar a formação de manchas e cicatrizes. Mas, além desses cuidados, o acompanhamento médico é indispensável.

A catapora pode ter as seguintes complicações: infecção secundária das lesões, pneumonia, encefalite, artrite e a já citada Síndrome de Reye. Tais complicações são raras e ocorrem principalmente em crianças muito pequenas, adultos, gestantes, pessoas portadoras de imunodeficiências (como a Aids) ou que estão em tratamento com imunosupressores (quimioterapia, radioterapia e corticóides em grande quantidade).

O melhor é prevenir!

A vacina contra catapora existe e apresenta eficácia de 97%. Segundo recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria, a vacina deve ser administrada aos 12 meses de idade, em dose única. Infelizmente, ela ainda não está incluída no Programa Nacional de Imunização (PNI), ou seja, não está disponível na rede pública de saúde. Se a criança já teve catapora, ela já está imunizada e não irá apresentar novamente a doença. Se ela não foi vacinada nem teve a doença até os 12 anos, deve tomar a vacina, em duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas entre elas.

Apesar de a catapora não se manifestar mais de uma vez, o vírus varicela-zoster continua latente no organismo e pode causar uma outra doença, o herpes zoster. As lesões são parecidas com as da catapora, mas afetam os nervos e provocam dores muito fortes. O herpes zoster só ocorre quando a imunidade está muito baixa, em pessoas com doenças crônicas ou muito idosas.


Fontes:

Sociedade Brasileira de Pediatria:
www.sbp.com.br

Fundação Oswaldo Cruz: www.fiocruz.org.br

Publicado pela primeira vez em 18/09/2004 


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