- Riscos para a saúde
- Dicas importantes!
- Sedentarismo, outro grande vilão
Você sabia que já existem 3 crianças obesas para cada criança desnutrida no Brasil? Dependendo da classe social e da região, a obesidade atinge entre 7% e 15% das crianças do país. A obesidade é uma doença e traz inúmeros danos à saúde da criança, que terá o dobro de chances de se tornar um adulto com peso acima do ideal. Não dá, portanto, para ignorar este problema.
Mas, será possível resistir à tentação dos hambúrgueres, refrigerantes e batatas fritas? Como combater a vontade comer doces? As crianças hoje compõem o que se convencionou chamar de "geração Coca cola" ou "geração fast food" e estão comendo cada vez mais gorduras e menos fibras. Esse é o alerta do pediatra Nataniel Viuniski, especialista em obesidade infantil e coordenador do departamento de obesidade infantil da ABESO - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade.
Riscos para a saúde
A obesidade é a principal causa modificável de diabetes tipo II e hipertensão. O obeso também tem mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares, como derrame e infarto, pedras na vesícula, problemas dermatológicos e ortopédicos. Alguns tipos de câncer, como de cólon e próstata, são mais comuns em obesos.
Quem está acima do peso também sofre mais de apnéia do sono. Este problema faz com que a criança durma mal à noite e fique sonolenta durante o dia, podendo apresentar dificuldades de concentração e aprendizado. "Mas, o maior sofrimento da criança obesa é com a sua auto-estima e auto-imagem. Ela é vítima de todo o tipo de discriminação e gozações. E isso ocorre bem numa época em que está formando a sua personalidade e tem uma grande necessidade de ser aceita pelo grupo", destaca o Dr. Nataniel.
Para o pediatra, o melhor que as mães têm a fazer é evitar o problema antes que ele apareça. Por isso, elas devem começar a se preocupar com esse problema já na gravidez. "No Canadá, faz parte do programa de atendimento pré-natal oferecer para as gestantes informações sobre alimentação saudável, para ela e para o seu bebê", destaca.
Dicas importantes!
Leia abaixo algumas dicas muito importantes do pediatra. "Sabendo que essas atitudes melhoram a qualidade e quantidade da nossa vida e a de nossos filhos, vale a pena parar um pouco, pensar e agir de uma forma mais inteligente", enfatiza.
O aleitamento materno exclusivo até os 4-6 meses de vida é uma medida eficiente para proteger contra a obesidade.
Se o bebê chora, não pense logo que é fome e dê mamadeira ou chupeta. Assim, a criança aprende que, com aquele estímulo oral, ela obtém conforto, relaxamento e alívio e é possível que passe o resto da vida reproduzindo essa experiência.
Dê o exemplo. Se for um hábito da família comer legumes, verduras e frutas, isso vai ser natural para a criança.
Como a criança é um ser em crescimento, ela nunca deve ter uma restrição alimentar que coloque em risco a sua saúde. Preconizamos uma alimentação variada, colorida, baseada na pirâmide alimentar, onde não existe alimento proibido, mas sim quantidades que devem ser controladas.
Não use a comida como castigo ou recompensa. Nunca diga frases do tipo "Tome toda a sopa, ou não ganha a sobremesa!" Dessa forma, se passa a idéia que a sopa é um terror e a sobremesa, a coisa mais gostosa do mundo.
Outro dado importante é o poder do elogio! O elogio é a gasolina que faz funcionar o motor do emagrecimento. Se os pais trabalharem a auto-estima e a auto-imagem dos seus filhos, eles aprenderão a se gostar. E quem se gosta, se cuida!
O sedentarismo também é um grande vilão da obesidade. Questione seu estilo de vida! Passar o domingo de pijama assistindo televisão ou fazer alguma atividade em contato com a natureza, é um hábito que a família vai introduzir ou não no comportamento da criança.
Não confunda afeto com comida - nesta área, as avós são campeãs! Os filhos preferem sentar e conversar, isto é, receber atenção, em vez de uma sobremesa ou um chocolate.
A melhor maneira de educar e colocar limites é com o nosso próprio exemplo! De nada adianta dizer para seu filho tomar suco natural se você só toma refrigerante!
Sedentarismo, outro grande vilão
O pediatra chama a atenção para outro importante causador da epidemia de obesidade: o sedentarismo. "Diariamente, uma criança dorme cerca de 8 horas e passa pelo menos 4 na escola. Se ela ficar 5 horas vendo televisão, jogando videogame ou usando o computador, que é a média de tempo gasto nessas atividades, sobra muito pouco tempo para gastar energia", destaca.
A falta de espaço para brincar, a violência e o estresse do dia-a-dia são os fatores que mais influenciam nesse comportamento sedentário. Segundo o Dr. Nataniel, estudos demonstram que as horas diante da tela de televisão ou do computador são mais importantes para aumentar o peso do que o excesso de alimentação.
Para saber se seu filho está obeso, calcule o Índice de Massa Corporal (IMC) dele. Para obter o IMC, divida o peso em quilos (por exemplo, 50 Kg) pelo quadrado da altura dele, em metros (por exemplo, 1,60m):
De acordo com o resultado dessa conta, é possível saber em que faixa de peso o indivíduo está.
Clique aqui
para ver a tabela com os resultados.
Para saber mais:
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade:
www.abeso.org.br
O Ministério da Saúde responde a dúvidas sobre obesidade no telefone: 0800-61-1997
"Obesidade Infantil, um guia prático" Autor: Nataniel Viuniski. Editora: EPUB.
Publicado pela primeira vez em 10/02/2003