Quarta-feira, 23 de abril de 2014
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Problemas bem femininos

Por Carla Oliveira * em 13/04/2006


Saiba tudo sobre ovários policísticos, cisto de ovário e endometriose - e entenda as conseqüências dessas disfunções para a saúde do sistema reprodutivo da mulher.

Nessa matéria, tratamos de três temas que trazem muita preocupação para as mulheres: síndrome dos ovários policísticos, cistos nos ovários e endometriose. Essas doenças são bastante comuns nas mulheres em idade reprodutiva e estão diretamente associadas à dificuldade de engravidar. Além disso, podem trazer complicações mais graves se não forem tratadas adequadamente. Aprenda um pouco mais sobre esse assunto e lembre-se de freqüentar regularmente o consultório do ginecologista para manter sua saúde sempre em ordem!

Ovários policísticos

O que é - causas e sintomas


A síndrome dos ovários policísticos é um dos distúrbios mais frequentes durante a vida reprodutiva da mulher. É uma desordem endócrina que causa falta de ovulação, produzindo uma série de sintomas. "Pequenos cistos (folículos não rotos) acumulam-se na superfície dos ovários e daí a designação ovário policístico para este grupo de mulheres", explica o Dr. Wagner José Gonçalves, chefe da disciplina de Oncologia Ginecológica da Universidade Federal de São Paulo (Escola Paulista de Medicina).


O sintoma mais comum é a irregularidade menstrual. "Os ciclos apresentam intervalo superior a 40 dias e, eventualmente, ocorre até a falta de menstruações por períodos superiores a 90 dias", destaca o Dr. Wagner. Também ocorre aumento de pelos no corpo em cerca de 50% dos casos.


Vale ressaltar que, do ponto de vista clínico, ovários policísticos e ovários micropolicísticos expressam a mesma situação. Também é importante lembrar que ter alguns cistos pequenos nos ovários é absolutamente normal e não necessariamente indica uma doença. O Dr. Wagner afirma que, ao fazer exames de ultra-sonografia, muitos médicos erroneamente descrevem tais cistos ou folículos em crescimento como policísticos ou micropolicísticos. "Estes termos somente devem ser aplicados rigorosamente dentro de critérios onde há aumento no volume dos ovários, os cistos são numerosos (acima de 10) em ambos os ovários e, concomitantemente, há quadro clínico de alterações menstruais, alterações decorrentes da maior ação de hormônio masculino e a dificuldade para engravidar pela falta de ovulação", completa.


Quais as complicações


"Não há riscos imediatos para esta afecção. No entanto, a falta de ovulação por vários anos acarreta sangramento uterino anormal, há piora no quadro cutâneo da acne, aumento dos pelos e oleosidade - decorrentes dos níveis elevados de hormônio masculino (androgênios) e, finalmente, maior dificuldade para a mulher engravidar", resume o Dr. Wagner.


Como é feito o diagnóstico


Num primeiro momento, o médico deve levar em conta os sintomas descritos pela paciente e os sinais presentes no exame clínico, como existência de pelos na face, mamas, abdome e coxas. A partir daí, ele deverá pedir exames hormonais e ultra-sonografia pélvica, que confirmam o diagnóstico clínico.


O melhor tratamento


O tratamento recomendado dependerá do desejo da paciente. Se ela deseja engravidar imediantamente, o médico recomendará o uso de remédios que induzem a ovulação. Se ela não deseja engravidar, mas apenas melhorar o problema da acne, o uso da pílula (contraceptivo) contendo substâncias anti-androgênicas pode ser adequado. Vale lembrar que mulheres com excesso de peso podem ter mais dificuldade em alcançar os resultados do tratamento.


Vou conseguir engravidar?


Na atualidade, não há grandes dificuldades para engravidar. "Na maior parte dos casos, o uso de simples medicação indutora da ovulação já é suficiente para obter a gestação em pouco tempo", tranquiliza o Dr. Wagner.

Cisto de ovário

O que é - causa e sintomas


Inicialmente, é preciso definir a diferença entre cisto de ovário e ovários policísticos. "Cisto de ovário é único, grande, uma coleção fluída volumosa em um ou ambos os ovários. Ovários policísticos, como já foi explicado, são múltiplos e pequenos cistos em ambos os ovários, geralmente acima de 10 pequenos cistos em cada ovário", explica o Dr. Wagner.


A mulher que já começou a menstruar apresenta nos ovários um pequeno cisto, que é o folículo ovariano normal. Segundo o Dr. Wagner, esse cisto cresce e, quando atinge cerca de 2 a 2,5 centímetros de diâmetro, se rompe e libera o óvulo. Essa é a ovulação, que ocorrre geralmente no 14º dia do ciclo menstrual. Se, eventualmente, esse cisto não se rompe, pode dar origem a um cisto ovariano que persiste por meses.


"Com menor freqüência, os tumores do ovário também produzem líquido e formam-se cistos volumosos", observa o especialista. Mas, é bom ressaltar que cistos ovarianos raramente são malignos. A maior preocupação ocorre após a menopausa, pois nesta fase não há ovulação e, quando surgem cistos nos ovários, é preciso avaliar cuidadosamente as suas características com a ultra-sonografia.


Em geral, cistos ovarianos podem causar dor ou desconforto na parte inferior do abdome. "Por vezes a mulher relata dor de baixa intensidade no andar inferior do abdome, habitualmente unilateral, que a incomoda durante vários dias e apresenta melhora com analgésicos comuns", relata o Dr. Wagner.


Como é feito o diagnóstico


De acordo com o Dr. Wagner, uma das formas de diagnosticar é pelo exame clínico, especialmente pelo toque vaginal, em que o médico percebe o ovário aumentado de tamanho, doloroso. A segunda forma é através de ultra-sonografia pélvica e transvaginal.


O ultra-som é fundamental na avaliação dos ovários e das características dos cistos e indica se os mesmos são de tratamento clínico ou, eventualmente, correspondem a um tumor de ovário que deve ser tratado com cirurgia. "A mulher deve procurar o seu ginecologista já sabendo que, se há suspeita de cisto ovariano no exame clínico, o ultra-som será exame valioso para a correta conduta", enfatiza o Dr. Wagner.


O melhor tratamento


O tratamento dependerá das características do cisto, observadas no exame de ultra-sonografia. De acordo com o Dr. Wagner, cistos pequenos e estáveis (que não apresentam crescimento) não são motivo de qualquer preocupação. Já cistos que apresentam crescimento persistente, ou percebidos após a menopausa, devem ser observados mais atentamente, acompanhados em intervalos menores.


"A maior parte dos cistos nas mulheres jovens desaparece nos ciclos subseqüentes ou com o uso da pílula (contraceptivo hormonal) de média dosagem", completa o especialista. Se há suspeita de que o cisto corresponda a um tumor cístico do ovário, ou seja, não é de natureza hormonal ou funcional, o tratamento deve ser cirúrgico.


Vou conseguir engravidar?


Cistos simples, com tamanho inferior a cinco centímetros, não interferem na fertilidade, nem na gravidez em curso. "Entretanto, a existência de cistos podem traduzir doenças como endometriose ou tubas dilatadas simulando cistos de ovários que, sem dúvida, dificultarão a mulher engravidar", lembra o Dr. Wagner.

Endometriose

O que é - causa e sintomas


Conforme explica o Dr. Wagner, a endometriose é a presença do endométrio (células que formam a camada interna do útero) fora do útero. Isso ocorre porque as células do endométrio podem refluir com o sangue menstrual para a cavidade abdominal e se implantar em ovários, ligamentos uterinos, intestino, bexiga e inúmeras outras localizações.


Os sintomas mais frequentes são a dor (tipo cólica) no período menstrual, a dor pélvica na atividade sexual e a dificuladade para engravidar. "Não há relação direta entre a intensidade dos sintomas e a intensidade da doença, ou seja, mulheres com endometriose grave podem ser assintomáticas ou ter poucos sintomas", ressalta o Dr. Wagner.


Quais as complicações


A endometriose é uma doença evolutiva. Em situações extremas, quando não tratada, ela pode se espalhar pelo abdome, envolvendo diversos órgãos, como ovários, útero, bexiga e intestino, tornando até mesmo impossível a diferenciação entre eles durante uma cirurgia.


Como é feito o diagnóstico


O exame clínico é, na maior parte das vezes, aparentemente normal. Por isso, o exame mais adequado é a ultra-sonografia pélvica e transvaginal. "O ultra-som apresenta muitas vantagens. Trata-se de método não invasivo para a paciente que pode oferecer imagem dos endometriomas, que são coleções ou cistos na pelve, a forma mais comum da doença", observa o Dr. Wagner.


O especialista explica que o foco de células do endométrio sofre ação hormonal e progressivamente aumenta de tamanho, formando um cisto cheio de sangue menstrual. A porção líquida desse sangue é absorvida e o que permanece, além de células endometriais, é um líquido espesso e denso. O corpo reage a este tecido com processo inflamatório e formação de aderências (tecido de cicatrização).


O melhor tratamento


O tratamento deve ser tanto cirúrgico, para a retirada dos cistos endometrióticos, como medicamentoso, para promover a regressão das células endometriais disseminadas ou fora do útero. Cabe lembrar que é muito alto o índice de recidivas ou retorno da doença. "A mulher volta a menstruar e volta a refluir sangue menstrual para a cavidade abdominal em cada menstruação. Da mesma forma que volta a menstruar, volta a produção plena do estrogênio pelos ovários, estimulando a proliferação das células nos focos de endometriose. Assim, por outro lado, quando mais filhos a mulher tiver, quanto mais amamentar e quanto mais tomar pílula menor o risco da endometriose retornar", explica o Dr. Wagner.


É importante ressaltar que a anatomia da pelve da mulher fica totalmente alterada com o processo aderencial e por isso a endometriose deve ser tratada adequadamente de modo a impedir o avanço da doença, mesmo nas mulheres que não tem intenção de engravidar.


Vou conseguir engravidar?


Os cistos endometrióticos ocorrem mais comumente nos ovários, impedindo o encontro do espermatozóide com o óvulo. Os índices de gravidez dependem da qualidade e sucesso do tratamento instituído. "Na atualidade, com os programas de fertilização "in vitro" é elevado o índice de gravidez em mulheres com a endometriose. Também a própria gravidez, pelo ambiente hormonal rico em progesterona, é um excelente tratamento para a mulher com endometriose. Cabe salientar que esta gravidez não é de risco pelo antecedente de endometriose da mãe", completa o Dr. Wagner.


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