Quarta-feira, 16 de abril de 2014
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Sem medo de comer novidades

Por Flavia Schwartzman *


Você já passou pela situação de tentar "apresentar" seu filho a algum alimento e ele recusar? Relaxe, isso é normal. Aprenda a driblar esse problema!

Quase que diariamente as crianças são introduzidas a alimentos novos, que nunca haviam visto antes. Nada mais normal, portanto, que tenham um certo "cuidado" antes de aceitá-los. Este é, na verdade, um mecanismo de defesa, pois elas ainda não sabem qual é seu gosto, seu cheiro e, mesmo, se a tal "novidade" apresenta algum perigo para elas. Por isso, o mais provável é que recusem a comida que lhes for oferecida pela primeira vez.


Esta reação tem até um nome: em inglês chama-se "food neophobia", que significa "medo do alimento novo". Estudos indicam que, por meio de repetidas exposições, a criança irá vencer esse "medo" e aceitar o alimento. Podem ser necessárias até dez tentativas para que a criança incorpore aquele novo alimento ao seu hábito alimentar.

A ordem é não desistir

Muitos pais se enganam e deixam de oferecer o alimento novamente, por achar que a criança não gostou e nem vai aceitar mais. Outros fatores, além do próprio sabor da comida, irão contribuir para que ela goste (ou não) de determinado alimento. A atmosfera e a maneira como ele é oferecido serão fundamentais para que haja uma boa recepção. Por isso, ao oferecer uma novidade, saiba que, provavelmente, não será "amor à primeira vista", portanto não crie muitas expectativas.


Ofereça o alimento novo junto a outras coisas que seu filho gosta e coma junto com ele. Lembre-se: o exemplo vale mais que qualquer palavra! Ofereça porções pequenas, próprias para a idade, para não sobrecarregá-lo. Deixe-o estudar, cheirar e cutucar a comida, pois é desta maneira que ele irá conhecê-la. Se provar e não gostar (ou achar que não gostou), não force, pois ele poderá associar esse alimento a algo ruim e provavelmente não irá experimentar mais.


Após alguns dias, ofereça novamente. Se a criança ainda não aceitar, não desanime. Insista de vez em quando, pois o importante é ela continuar tendo contato com o alimento à mesa. Dessa forma ela terá a oportunidade de ver outros membros da família comendo aquele prato e poderá prová-lo quando quiser.

Nem prêmio nem castigo

Alimentos não devem ser utilizados como suborno, recompensa ou punição, mas muitas vezes isto acaba acontecendo: "se você comer a abobrinha, pode tomar sorvete de sobremesa" ou "você só vai poder ver televisão se comer a verdura".


Estudos indicam que a criança acaba não gostando dos alimentos usados para obter uma recompensa. Elas associam o alimento que deveriam comer (legumes, verduras, por exemplo) a algo negativo e acabam desenvolvendo uma aversão a ele. Elas pensam: "esta abobrinha deve ser muito ruim ou não me fariam comê-la em troca de um sorvete, que é muito bom".


Pois é, as crianças são mais espertas do que a gente imagina... Do mesmo jeito, quando o alimento é oferecido como recompensa num contexto positivo ("agora que você já arrumou seu quarto, pode tomar o sorvete"), elas o associam a algo prazeroso e irão desenvolver uma preferência por ele.


O que ocorre é que os alimentos utilizados como recompensa geralmente são os doces, balas, sorvetes, batata frita, "mais gostosos", menos nutritivos e justamente aqueles que queremos evitar. E os alimentos pelos quais eles precisam ser "subornados" para comer são sempre os legumes e as verduras, "menos gostosos", mais nutritivos e que desejamos que eles comam mais.

Como fazer o milagre acontecer?

  • Ofereça várias vezes o novo alimento, num ambiente tranqüilo e sem pressão.

  • Se seu filho recusar, não discuta. Mas mantenha o alimento na mesa, coma, diga que está gostoso, pergunte se ele não quer ao menos experimentar. Garanta que está tudo bem, que da próxima vez ele come.

  • Aproveite para oferecer um alimento novo quando um amiguinho estiver presente na hora da refeição. Certifique-se de o amigo gosta do que você irá servir e ofereça aos dois. É mais provável que ele experimente, se vir o outro comendo e gostando.

  • Chame-o para ajudar na preparação do alimento. Dê a ele uma tarefa e cozinhem juntos!

  • Nunca suborne seu filho para ele comer determinado alimento.Você já viu que isso pode causar um efeito contrário. Não custa reforçar: se ele não quiser, não insista muito.

  • Dê o exemplo: é mais provável que as crianças comam o que os adultos também estão comendo.

  • E lembre-se de continuar oferecendo!



    * Flavia Schwartzman é nutricionista, formada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, com especialização em Nutrição Materno-Infantil, Mestre em Nutrição pela Escola Paulista de Medicina.


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