| Quarta-feira, 22 de maio de 2013 |
Fazendo um pequeno esforço certamente as lembranças da infância virão à sua cabeça. Considerando que muita coisa será esquecida, pois a memória é seletiva e prega as suas peças, é provável que a imagem de brincadeiras sem a supervisão e interferência de adultos marque presença. Claro, os tempos eram outros, as famílias tinham mais filhos, os espaços eram maiores, as casas tinham quintais, brincar na rua era tranqüilo e comum, não havia tanta violência.
Sem saudosismo, será impossível proporcionar um pouco dessas brincadeiras? Não é tão complicado e o resultado fará muito bem a todos, filhos e pais.
Algumas atividades precisam de muitas crianças, portanto vale juntar os vizinhos, os primos, os coleguinhas da escola. No seu condomínio, na praia ou na fazenda. Casinha, escolinha, desfile de modas, cabaninha, supermercado, teatro e mais tudo o que eles possam inventar! A criatividade desses meninos não tem fim mesmo, é só começar.
Combinar algumas regras é necessário para que tudo possa rolar tranqüilamente, com a mínima interferência dos adultos. Assim, defina com eles que espaços estão liberados e que objetos da casa podem ser usados. É provável que você precise abrir, por exemplo, um armário de roupas para brincar de desfile de modas, ou parte da despensa para o supermercado. Se a proposta for a montagem de um teatro e houver uma apresentação, prestigie os atores e toda a equipe com sua presença.
Deixe bem claro desde o início que, quando terminar a brincadeira, todas as crianças precisam fazer a sua parte, ajudando a arrumar e guardar tudo o que foi usado. Brincar é uma delícia mas se, no final, ficar a maior bagunça até a mãe mais disposta vai desanimar e não desejará repetir a experiência. Portanto seja firme, mas colabore com a organização dos brinquedos e outros objetos, pois é mais importante que cada criança faça um pouquinho do que fique tudo perfeito sem a participação de todos.
Alguns materiais - pincéis, tintas, papéis variados, giz de cera, massas para modelagem, argila, tesoura, cola e fios de todos tipos - podem ser oferecidos para formar um cantinho de artes. Um espaço de importância destinado a entreter produtivamente a garotada. Sucatas são a base para atividades de construção; vale usar caixas variadas, embalagens de plástico, bandejas de isopor, palitos, rolhas e tudo o mais. Daí sairão monstros, robôs, bonecos, animais reais ou imaginários, barcos, carros, enfim a concretização de muitas fantasias. O contato com a variedade de materiais e a liberdade para utilizá-los abrem um espaço importante para o desenvolvimento da criatividade e a expressão dos sentimentos.
Cuide apenas para combinar com seu filho os limites físicos dessa oficina informal, pode ser a área de serviço ou quintal. Forre a mesa com jornal, coloque os materiais à disposição evitando, assim, que sua gangue pinte o sete por toda a casa.
A escolha dos materiais e temas não deve passar por interferências, deixe por conta da criança essas decisões. Procure controlar a vontade de "ensinar". Em caso de dúvidas técnicas é preciso apoiá-la, mas primeiro devolva a questão: deixe seu filho tentar, não queira resolver tudo imediatamente! Afinal, é misturando tintas que se descobrem cores e pesquisando os cortes e colagens que se resolve a melhor maneira de fazer a montagem. A experiência faz parte do processo, aliás, quanto menores as crianças menos importa o resultado.
Jogos tradicionais podem e devem ser resgatados, pois ainda divertem e muito: damas, dominó, pega-varetas e, para os maiores, xadrez, banco imobiliário e detetive.
Brincadeiras simples como pular elástico, estátua, passa-anel, telefone sem fio, cantigas com rimas e bola, jogo de saquinhos (feitos de tecido e recheados de arroz), concurso de bambolê, entre outras, acompanharam a infância de várias gerações e ainda fazem muito sucesso!
Algumas vezes as escolas incentivam a prática dessas brincadeiras no dia-a-dia, portanto, quando seu filho aparecer em casa com algo desse tipo, aproveite para contar as suas lembranças e brincar com ele se tiver pique. Além de muito divertido, é uma excelente maneira de reforçar o vínculo entre pais e filhos!
* Lucy Casolari é pedagoga e educadora
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