Domingo, 20 de agosto de 2017
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Agenda lotada

Por Lucy Casolari *


Precisamos oferecer aos nossos filhos atividades extra curriculares para que possam adquirir habilidades necessárias ao desenvolvimento e arrancá-los da frente da TV. Mas quantas? E quais? Como evitar a criação de uma agenda de executivo-mirim!

Dê uma parada e reflita com calma sobre os vários aspectos dessa questão. Quando os pais começam a pensar no que proporcionar aos filhos em termos de atividades extras, estão cheios de boas intenções, mas não devem deixar de considerar alguns pontos antes de se decidirem.


O tempo livre na frente da telinha não pode servir de parâmetro para a decisão sobre o número de períodos ocupados com esportes e cursos. O assunto TV precisa ser resolvido de maneira independente, estabelecendo-se os limites quanto a horários e programação.

O que levar em conta

Em primeiro lugar pense em seu filho: idade, temperamento, condições físicas, se houve alguma solicitação do pediatra, dentista ou escola, ou se a criança já manifestou desejo ou interesse por alguma área em especial. Partindo dessa análise é importante priorizar atividades que venham ao encontro do perfil percebido.


Assim, uma criança mais agitada vai precisar, certamente, gastar, canalizar e disciplinar a energia, mas quando ela for demasiadamente exigida poderá surtir um efeito contrário. Tudo é uma questão de bom senso e equilíbrio.



Da mesma forma, se seu filho é mais retraído e introspectivo, é provável que você não obtenha sucesso se insistir com aulas que exijam exposição ou participação em competições formais, como campeonatos. Não se trata de poupá-lo sempre, mas de ir com mais cuidado, "empurrando" devagarinho, até que se sinta mais seguro.

Expectativas podem atrapalhar

Crianças costumam se empolgar com a animação dos amiguinhos, nesse caso cabe aos pais analisar as necessidades do filho antes de atender aos insistentes pedidos para fazer essa ou aquela atividade.


Tenha claro que, nem sempre, aquele esporte ou instrumento musical que você praticou em sua infância é o mais adequado para seu pequeno. Novamente, considere-o como o melhor indicador. Em caso positivo, cuide para que suas próprias expectativas não se tornem tão altas, que acabem, ao invés de estimular, sendo um bloqueador do entusiasmo da criança.


Lembre-se de que todo aprendizado passa por insucessos que podem ser superados, claro, dentro das possibilidades reais de cada um. Os desafios propostos na medida certa e devidamente enfrentados são fundamentais para desenvolver a segurança e a auto-estima.

O que o futuro vai exigir

"Meu filho precisa ser fluente em inglês, aprender espanhol e, se possível, mais um idioma, ter intimidade com o computador desde cedo, desenvolver aptidão musical e artística, praticar natação, participar de um esporte coletivo, etc. Tudo isso vai ser necessário no futuro, ele precisa estar preparado, o mercado de trabalho estará mais exigente ainda!", dizem alguns pais aflitos.


Nossa... dá para perder o fôlego, não é mesmo? Pois é, os pais às vezes não se dão conta mas, na ansiedade de oferecer o máximo, acabam produzindo uma agenda sobrecarregada para as crianças. Até os menores parecem mini-executivos, sem tempo nem para suspirar, submetidos a um estresse tão grande que acaba refletindo em toda a família.



A dosagem das atividades precisa ser gerenciada com bom senso e equilíbrio. É mais produtivo priorizar algumas para que seu filho possa realmente aproveitar o melhor de cada uma. Em caso de proporcionar várias aulas e cursos procure não sobrecarregá-lo nas exigências, alternando atividades esportivas com o aprendizado de uma língua ou um instrumento musical. Ah, e não se esqueça de observar, com cuidado, suas reações para detectar eventuais sinais de cansaço.

Atividades na própria escola

Várias escolas de educação infantil e de ensino fundamental têm oferecido esse serviço - transformando-se, assim, em instituições de período integral. Essa opção pode funcionar muito bem, pois o espaço é conhecido e familiar e evita as cansativas locomoções.


Convém apenas ressaltar que cabe aos pais observar se está sendo cumprido o que foi prometido, se a programação é produtiva e não apenas uma forma de manter as crianças ocupadas. Procure acompanhar algumas aulas e escute o que seu filho tem para contar. Ouça os comentários sobre as atividades, professores e colegas. Essa recomendação, aliás, vale para qualquer academia, clube ou oficina.


Finalizando lembre-se de que criança precisa de tempo livre para brincar, fantasiar, ler, desenhar, assistir televisão, jogar videogame, ficar sem fazer nada. Em caso de dúvida, consulte o guia mais confiável: sua própria intuição!


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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