Segunda-feira, 26 de junho de 2017
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Você dá conta de tudo?

Por Norma Leite Brandão *


"Mamãe, você compra o álbum de figurinhas?" "Querida, onde você colocou aqueles papéis?" "A reunião com a diretoria começará em 15 minutos!"

A personagem a quem se dirigem é você mesma... Motorista, cozinheira, professora, profissional... são tantos os papéis... Papéis resultantes das profundas e velozes transformações produzidas pelo mundo moderno.
Há uma nova mulher, uma mulher que conquista espaços cada vez maiores e mais significativos. Vive o mundo do trabalho... por necessidade e por vontade. Busca realizações intelectuais, financeiras, afetivas, sexuais... Descobriu-se como mulher e como um ser produtivo fora do lar. Sua contribuição financeira é a cada dia mais importante. Seu caminho apenas começou; afinal, este mundo foi por tanto tempo trilhado somente pelos homens!!!

A maratona do dia-a-dia

Essa mesma mulher enfrenta, hoje, questões sérias e desafiadoras como mãe. Seu tempo é curto, diante das longas jornadas de trabalho e de estudo. Chega, ao final do dia, muitas vezes, cansada... as crianças pedem tanto... preparar o jantar... ir ao supermercado... cuidar da casa... pagar contas... reuniões da escola... ser motorista dos filhos... conversar com a empregada... (Dupla jornada?! Talvez quádrupla...) Os papéis são mesmo muitos. Exigem bastante, física e emocionalmente. Como olhar os filhos com o tempo e a qualidade necessários? Você é uma mulher exigente, que tem lutado duramente para conseguir proporcionar o melhor a sua família.

Essa mulher está sobrecarregada. Não consegue, neste momento, resgatar muito de sua função como mãe. Cansada? Sem dúvida alguma. Mas uma parada sobre essa questão é necessária. Analisar a fadiga diária é também analisar a forma como se lida com o cotidiano e seus desafios. Você tem sorrido? Olhado o mundo a seu redor? Tem ouvido música com prazer? O que faz ao chegar em casa? Corre para a cozinha? Dá um tempo para si própria? Ao encontrar seu filho, após a escola, consegue beijá-lo e, calmamente, olhá-lo nos olhos e perguntar como foi seu dia? Aproveita seus momentos de motorista ou de cozinheira para ouvir seus casos? Diante de uma lição de casa à qual bravamente ele resiste, consegue respirar fundo, olhar em seus olhos e perguntar "O que acontece?" ou entra no embate direto? Se a relutância continua, permite-se dizer calma e firmemente: "Converse com sua professora a respeito. Nós dois não estamos conseguindo solucionar suas questões"?

Supermãe também tem limites!

Parecem pequenas coisas. Mas é o aparentemente insignificante que faz a diferença. É isso que diz a seu filho: "Estou aqui, a seu lado, apesar de correr muito". Há problemas, questões mal resolvidas, lacunas a serem preenchidas, mas seu filho não precisa ter uma mãe perfeita. Nenhuma o é. Nem as do passado o foram. Ele necessita de uma mãe presente. E que procure, dentro de suas limitações, dar o melhor possível. Por menos tempo? Não faz mal... é uma criança inteligente, percebe sua luta diária, sabe de sua força, de sua garra, admira-a por isso... mas pede seu olhar e sua palavra, quer marcar sua presença como se estivesse dizendo: "Estou aqui, olhe para mim!". Nesses momentos bate o pé, fala alto, enfrenta você. Crianças são mestres na arte da sedução...


E, por falar em sedução, cabe a pergunta: como essa correria toda, essa velocidade, esse emaranhado de coisas seduz, não é verdade? Seduz tanto que não se consegue delegar nada. Longo aprendizado é necessário para aprender a distribuir e delegar tarefas.

Dar uma paradinha para prosseguir

É nesse momento que a imagem do freio de mão surge com tanta força. É preciso ter freio para o cotidiano. Paradas. Pequenas pausas. Nelas conseguimos enxergar, com distanciamento, o olhar aflito do filho que brigou na escola, o sorriso alegre e o encantamento da filha com seu primeiro namoradinho, o rosto preocupado do companheiro que teve problemas no trabalho. É nesses pequenos momentos, também, que essa mulher consegue olhar para si própria e se perguntar sobre seu limite, o sonho move o mundo! O freio é como que uma breve pausa para a retomada do rumo. São instantes preciosos porque neles você trabalha com elementos fundamentais para seu bem-estar e o de sua família: o conhecimento, a sensibilidade, a intuição e o equilíbrio...

Adaptando as receitas

Lembre-se: não trabalhe somente de acordo os manuais, aqueles que trazem fórmulas de sucesso para educar seus filhos. Lide com sua percepção! Receitas serão sempre receitas, contêm o básico... e o que faz você com elas? Muda o recheio da torta porque a fruta está em falta? Aumenta ou diminui os ingredientes, dependendo do número de convidados? Acrescenta um pouco mais de manteiga, porque fica mais saboroso? Você provoca alterações porque sabe o que deseja obter!!! Às vezes, as alterações são um sucesso; outras, um fracasso. Mas o que conta é que, naquele momento, você buscou fazer o que melhor podia, com os ingredientes de que dispunha. O mesmo ocorre na educação de seus filhos: erra-se com ou sem receitas. Não se incomode com o erro. Nada é irreversível quando se quer acertar. O velho adágio já diz: "Só erra quem faz". Quando se está atenta e agindo, consegue-se construir um caminho muito particular e ao mesmo tempo coletivo. Particular porque sem mandamentos fechados, imutáveis, rígidos. Coletivo porque busca o bem-estar de todos que a rodeiam.

Retomando o espírito que permeia todas as mulheres: na preparação da torta ou na educação dos filhos "é preciso ter manha, é preciso ter graça é preciso ter sonho sempre..." Você os tem?



* Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


Comentário:    
       
Marcia Fontes 22 de March de 2011 | 18h 10

Puxa!!! Até q enfim encontrei uma matéria q me ajudasse a pensar, ou melhor, ter uma visão melhor de como enfrentar as complicação de uma pre adolecente. Obrigada.

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