Sexta-feira, 31 de outubro de 2014
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Abuso sexual contra crianças

Por Carla Oliveira *


Na grande maioria dos casos de abuso sexual contra crianças, o agressor é um parente ou conhecido da família. O que fazer para evitar essa ameaça que parece tão próxima?

Ao falar sobre abuso sexual contra crianças, é preciso, antes de mais nada, derrubar alguns estereótipos. O abuso sexual não ocorre somente em classes sociais e econômicas menos favorecidas. E, ao contrário do que se imagina, esse crime não é praticado por marginais ou desequilibrados mentais. Pesquisas mostram que o abuso acontece em todas as camadas da sociedade e, em cerca de 80% dos casos, o agressor é alguém da família ou um conhecido da criança.


É muito desconfortável e até constrangedor para a maioria das pessoas discutir esse problema e admitir a sua existência pode ser ainda mais difícil. Mas, quando se trata da integridade física e emocional de nossos filhos, é fundamental deixar os preconceitos e tabus de lado e enfrentar a realidade, por mais triste e dolorosa que seja.


Mas, afinal, o que é abuso sexual? Uma relação sexual abusiva não pode ser definida pela presença de violência física por que nem sempre deixa seqüelas visíveis. O consentimento também não define o abuso, pois a criança pode concordar em manter relações sexuais sem ter consciência do que está fazendo, já que não tem capacidade nem maturidade para decidir sobre esse assunto.


O abuso geralmente ocorre através de um jogo de poder em que uma pessoa faz da criança seu objeto de desejo, transgredindo os limites de sua sexualidade. Esse poder pode ser exercido na forma de sedução, persuasão, coerção, ameaça e, em alguns casos, violência física. Não se deve esquecer que o abuso pode assumir diversas formas como exibição de órgãos sexuais ou de imagens pornográficas, masturbação, conversas obscenas - que podem ocorrer às vezes pelo telefone ou pela internet - e voyeurismo, ou seja, a excitação do adulto mediante a visualização dos órgãos sexuais da criança.

Os agressores e as vítimas

Em geral, a vítima é do sexo feminino e o agressor, do sexo masculino. O agressor se vale principalmente da força e do poder que ele exerce sobre a criança que, em sua ingenuidade, não é capaz de perceber o que acontece, e também da relação de confiança que estabelece com ela, que é a confiança inerente da criança no adulto.O agressor pode ser um tio, um avô, um primo, um vizinho, um irmão, um amigo íntimo da família, um professor, o padrasto ou até mesmo o pai da criança.


As crianças mais visadas pelos agressores costumam ter pouca idade, pois ainda não conseguem se expressar direito, o que dificulta o relato do abuso. Da mesma forma, crianças que são vistas como "mentirosas" ou que costumam distorcer a realidade também se tornam alvos preferenciais. Crianças muito extrovertidas e amigáveis com os adultos tornam a aproximação do agressor mais fácil. E, por fim, crianças sensíveis ou que demonstram carência afetiva também são mais vulneráveis aos jogos de sedução ou coerção estabelecidos pelo agressor.


As crianças são as vítimas de abuso sexual em 69% dos casos registrados, mas somente um terço delas são afastadas do convívio com o agressor. A verdade é que a revelação do abuso sexual intra-familiar gera uma série de conseqüências como a desestruturação da família e a prisão do agressor, que muitas vezes é o responsável pelo sustento da casa. Além disso, a família se sente envergonhada e pode ocorrer a estigmatização, a culpabilização e até o isolamento da criança.


Por isso, muitas famílias preferem não enfrentar os fatos e seguir com seu funcionamento normal. Os abusos não só continuam a ocorrer durante anos, como o agressor ainda faz novas vítimas. Isso traz danos psicológicos incomensuráveis para a criança, que é obrigada a aceitar a situação e encontrar meios de sobreviver a ela, sem poder contar com a ajuda de ninguém.

Como identificar o abuso?

Os principais sinais físicos do abuso corporal são: edemas, escoriações, hematomas, vermelhidão, rupturas e sangramentos nas mamas, nádegas, ânus, áreas genitais ou na boca, além de evidências de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. Mas, na maioria dos casos não se constatam lesões físicas evidentes e somente um especialista consegue fazer o diagnóstico.


Por isso, os pais precisam ficar atentos a alterações comportamentais súbitas que podem ser conseqüências emocionais de um abuso, tais como dificuldades de aprendizado, fugas de casa, fobias, pesadelos, rituais compulsivos, comportamentos auto-destrutivos ou suicidas, isolamento social, comportamento excessivamente sexualizado, aversão ou desconfiança de adultos, instabilidade emocional e queixas psicossomáticas.


Quando a criança relata espontaneamente um abuso, é importante que seus pais acreditem e levem a história à sério, pois dificilmente uma criança seria capaz de elaborar uma falsa história de abuso sexual. Falsas denúncias podem ocorrer por iniciativa de um dos pais em situações de litígio, como forma de afastar o ex-cônjuge do convívio com a criança.

Meu filho sofreu abuso. O que devo fazer?

  • Se possível, recolha materiais que possam comprovar o abuso e ajudar a identificar o agressor, como uma roupa suja de sêmen ou sangue. Não dê banho na criança, para não prejudicar a coleta de evidências.

  • Vá até à delegacia mais próxima e registre o boletim de ocorrência. De lá, vocês serão encaminhados para a entidade responsável pelo exame pericial, que é feito por médicos legistas. O laudo elaborado pelos médicos poderá confirmar ou não a existência de lesões e outros vestígios indicadores de abuso. O exame de DNA feito a partir do sêmen ou sangue pode identificar o agressor.

  • É muito importante recorrer a um serviço médico nas 72 horas que se seguem ao abuso sexual, pois neste prazo pode-se evitar o desenvolvimento de várias doenças sexualmente transmissíveis ou gravidez. Lembre-se de que é permitido fazer aborto em caso de estupro.

  • O acompanhamento psicológico é fundamental. O abuso permanece na memória da criança e pode gerar conseqüências como fobias, insônia, distúrbios alimentares, problemas de relacionamento, depressão, ansiedade, etc.

  • A criança que sofre abuso tem tendência a repetir esse comportamento em alguma fase da vida, o que reforça a importância do tratamento psicológico.

  • Não deixe de denunciar o agressor, mesmo que seja alguém da própria família, pois do contrário ele poderá fazer novas vítimas.


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