Terça, 23 de maio de 2017
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Entrando no mercado de trabalho

Por Norma Leite Brandão *


O mundo moderno exige dos filhos preparo e amadurecimento para enfrentar a competitividade do mercado de trabalho. Aprenda como ajudá-los nessa difícil tarefa.

O preparo para o mundo profissional não tem mais fim: todos aceitam a idéia de que não há mais um tempo limitado para essa formação. Algumas famílias se programam financeiramente, ao longo de muitos anos, a fim de dar subsídios para que seus filhos possam realizar cursos de extensão, até mesmo no exterior.


O que surpreende não é essa nova concepção, mas a visão, por parte de alguns pais, de que o ingresso no mercado de trabalho dependa de uma formação mais ampla e acadêmica. Como se houvesse um tempo de preparo e outro para o início da atividade profissional e esses "dois mundos" não pudessem coexistir, não se completassem. Com isso, amplia-se o período de adolescência e estende-se a dependência.


Em princípio parece difícil imaginar as duas realidades, com tantas exigências. Os pais, ao tentarem vislumbrar possibilidades e enxergar caminhos com sua experiência de vida, buscam cumprir seu papel. No entanto, seria interessante que refletissem sobre algumas perguntas: tentam apoiar, discutir possibilidades, ouvir as inquietações ou encaminhar, a seu modo, os rumos de seus filhos?


O ensino acadêmico e formal abre portas, mas será ele o maior responsável pelo futuro profissional? Ajudam efetivamente seus filhos quando estendem sua adolescência com o intuito de que se preparem para o que virá? O que acontecerá com um aluno inexperiente, saído da universidade, ao se defrontar com uma realidade em que a prática conta pontos?

Teoria e prática

Por melhor que seja a escola ou universidade que seu filho freqüente, não se engane. O ensino formal ainda está longe de proporcionar a seus alunos, de forma satisfatória, a experiência prática do ofício escolhido. Vemos, com freqüência, decepções em relação às propostas educacionais. Como se muitas estivessem desvinculadas da realidade: aulas muito teóricas, laboratórios que não dão conta do recado, tecnologia aquém do esperado e, acredite, um número expressivo de professores mal preparados.


Hoje observa-se uma quantidade significativa de universitários ingressando, já no primeiro ano de faculdade, no mercado de trabalho em busca de estágios. Muitos buscam a ajuda financeira, mas a grande maioria sabe que a experiência profissional concomitante ao curso universitário é pré-requisito. Aprende-se a fazer fazendo e isso parece vinculado ao mundo do trabalho.

O valor do dinheiro

Freqüentemente os pais se queixam das facilidades dos jovens no que se refere à obtenção de bens de consumo. Lutam arduamente para mostrar-lhes que as coisas são difíceis, fazem longos discursos, dão broncas, irritam-se diante do desperdício. Bem, nada mais eficaz do que a ação. Nesse caso, ela significa trabalho.


Quando um jovem começa a ganhar seu dinheiro, de forma produtiva, ele passa a ver o mundo de um outro jeito. Tem uma outra dimensão do valor de cada objeto adquirido, porque sabe o quanto lhe custa ganhar. Esse é um caminho bonito a ser observado pelos pais, que normalmente se surpreendem. Esquecem-se do próprio percurso e de que vivenciar vale mais do que mil palavras de orientação.


Vale lembrar: a preocupação referente ao valor dado ao dinheiro pelos jovens deveria independer da condição financeira da família. Educar um filho significa mostrar-lhe, ainda que haja abundância de recursos familiares, que nada no mundo nos é oferecido de graça e sem esforço. Dessa forma ele terá base para valorizar o que possui e para administrar eventuais dificuldades e reviravoltas que o mundo possa dar. E você há de reconhecer, conviver com o instável é uma necessidade da vida moderna. Ajude-o a preparar-se para possíveis momentos de desequilíbrio e contenção.

O delicado e desafiante mundo das relações

Não bastassem as implicações financeiras, a realidade profissional possibilita algo que nenhuma instituição de ensino ou família conseguirá suprir: o universo das relações de trabalho, dentro de um mercado competitivo e seletivo. Este aprendizado começa nos aspectos práticos e aparentemente bobos, como selecionar roupas adequadas, pensar em sua aparência física com cuidados especiais, programar sua agenda pessoal, saber portar-se numa entrevista ou reunião.


Conforme passa o tempo, esta experiência vai tomando força com todos os desdobramentos posteriores - a preocupação com horários, a disciplina, o aprendizado de calar e falar nas horas certas, a delicada tarefa de lidar com pessoas de natureza diversa, o desafio de cumprir metas, individualmente e em equipe. Significa, mais do que tudo isso, ver-se diante de situações inusitadas e que exigirão escolha. Algumas, até, de natureza pessoal e ética.

Ele parece ser muito novo para tudo isso?

Você é que pensa! Os pais, invariavelmente, procuram poupar seus filhos. Argumentam que trabalhar e estudar ao mesmo tempo pode representar uma carga muito pesada. Ninguém afirma o contrário: exige muita disponibilidade, sacrifício e perseverança. Mas que idade tem seu filho mesmo? Não estará ele no momento certo para as ousadias, os experimentos, os desafios? Não parece mais saudável que esteja buscando esses aspectos dentro do mundo profissional? Sim, porque essas são questões inerentes à faixa etária. Devidamente canalizadas, revertem, sem dúvida alguma, em benefício próprio.


Em alguns casos, entrar no mercado profissional pode causar tanto deslumbramento e autonomia que aparece, por parte do jovem, o desejo de interromper seus estudos, diante da dificuldade de manter as duas atividades. Aqui, sem dúvida alguma, cabe a interferência da família no sentido de ajudá-lo a encontrar caminhos. O trabalho precisa significar o complemento prático necessário à vida acadêmica e não sua substituição. Mostre-lhe que retomar os estudos, posteriormente, fica mais difícil e que essa é uma fase passageira, embora atribulada.

Soltar elos e alçar vôos

Quando começar? De que maneira proceder? Não há uma receita. Os filhos e as famílias são diferentes, graças a Deus. Cada um terá seu tempo, sua forma. Mas a ação de, gradativamente, cortar os laços de dependência, faz parte do papel de quem educa. O importante é que pais e mães, desde cedo, estejam sempre se perguntando o quanto seu instinto de proteção possa estar impedindo o crescimento de seus filhos. Conversem sobre isso e procurem caminhos para propiciar o amadurecimento. Num primeiro momento, certas atitudes podem parecer duras, difíceis de tomar e até carregadas de culpa.


Recentemente uma mãe, que passava por momentos financeiros complicados, explicitava sua aflição e conseqüente sentimento de angústia diante da necessidade de dividir algumas despesas com seu filho, despesas que considerava de sua obrigação, como a manutenção da universidade. Surpreendentemente, ao conversar com ele a respeito, tomou conhecimento de que o jovem não somente pagava seus estudos, mas também conseguia, com seu salário de estagiário, guardar um relativo dinheiro para despesas pessoais e, acredite, uma poupança! Havia, em seu tom de voz, prazer por ser capaz de gerir suas finanças. Havia, mais do que tudo, o orgulho saudável de saber que, naquele momento tão especial, além do auxílio à família, ele tinha um papel ativo na construção de seu futuro.


Como sempre, o que parece culpa para os pais, pode ter o sabor de conquista para o jovem. A valorização da independência, o viver de forma autônoma e responsável decorre, em grande parte, das ações concretas que a experiência profissional proporciona. Por isso, fique de antenas ligadas às manifestações de desejo de alçar vôo. Em alguns casos, se necessário, incite-o. Se bem orientado este, certamente, será o primeiro de muitos outros, sempre mais altos e mais distantes. Que bom, é sinal de que seu filho começa, de fato, crescer! E longe das suas protetoras asas.


* Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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