Quarta-feira, 23 de abril de 2014
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Quando o homem é infértil

Por Dr. Paulo César Serafini * em 13/07/2001


Quando um casal não consegue ter filhos, muitos pensam imediatamente que o problema de infertilidade seja da mulher. Isso é um mito! Aprenda mais sobre o assunto.

Para que um homem seja considerado fértil é necessário, em geral, que tenha uma formação de espermatozóides (espermatogênese) normal, que assegure o transporte de um número suficiente destes para fertilizar o óvulo nas trompas de Fallópio.


Acredita-se que os homens sejam responsáveis por infertilidade em 30% dos casais como a única e exclusiva causa; e participem em diferentes ordens de grandeza junto às cônjuges em 20 a 40% dos outros casos. Estes dados realmente pesam na balança do casal sem filhos! E, apesar da grande divulgação sobre reprodução humana, ainda persiste o mito de que a infertilidade é um problema da mulher.


Por isso muitos especialistas julgam imprescindível que o marido acompanhe a mulher nas consultas e participe igualmente na avaliação da infertilidade. O conhecimento e o tratamento precoce do homem aumenta as chances e viabiliza um sucesso num menor período de tempo, com menos desgaste emocional e financeiro para o casal. As causas de infertilidade masculina podem ser dividas em quatro grupos:


a) Problemas na produção e maturação dos espermatozóides;

b) Problemas na motilidade dos espermatozóides;

c) Obstrução dos sistemas (canais) que conduzem os espermatozóides;

d) Dificuldades de ejaculação.

Problemas na produção e maturação dos espermatozóides

Uma ineficiente produção de hormônios como testosterona, FSH e LH causados por doenças, infecções, traumatismos, agentes tóxicos, medicamentos ou devido a uma malformação congênita podem causar baixo número ou ausência (azoospermia) no ejaculado (sêmen).


Alguns homens que tiveram caxumba durante ou após a puberdade poderão ter desenvolvido concorrentemente uma infecção dos testículos (orquite) que tende a destruir, completa e irreversivelmente, as células (Sertoli) produtoras de espermatozóides. E, conseqüentemente, este homem será estéril. Nestes casos os especialistas usam de doação de espermatozóides.


As doenças sexualmente transmissíveis (DST) diminuem a contagem dos espermatozóides durante o período agudo da infecção; porém, há um retorno ao normal após a recuperação. Todavia em alguns homens em que a doença afetou o epidídimo, canalículo onde o espermatozóide matura, aquele pode ficar obstruído e o homem tornar-se azoospérmico.


Os traumatismos testiculares são raros, mas dependendo do impacto os resultados podem ser devastadores. A diminuição ou a falta de aporte sanguíneo (e oxigenação), como acontecem na torção testicular, se não corrigida cirurgicamente dentro de 6 horas, pode causar dano irreversível.


A falta da descida do testículo à bolsa escrotal no período fetal e após nascimento, se não tratada (hormônio e/ou cirurgia) e o testículo não descer apropriadamente, este estará sujeito a maior temperatura e conseqüente diminuição na produção de espermatozóide.


O estresse, uso do fumo, maconha, bebidas alcoólicas em excesso, vários medicamentos incluindo os antidepressivos, entre outros, uso sistemático de sauna, exposição à radiação e outros elementos tóxicos, como muitos usados na indústria agropecuária, podem interferir na produção dos espermatozóides.


Provavelmente 10% dos homens com baixa contagem ou que apresentam azoospermia tenham alguma alteração cromossômica específica no cromossoma Y, como no caso da síndrome de Klinefelter, porém estas pessoas são fisicamente normais. Salienta-se que em determinados casos estes homens possam "passar" essa condição para seus filhos.

Problemas na motilidade dos espermatozóides

Um esperma com boa vitalidade tem uma movimentação direcional numa velocidade de 25 microns por segundo, o que permitiria que este gameta chegasse na fímbria (região da tuba uterina onde ocorre a fertilização) em aproximadamente 12 minutos. Facilmente entende-se que a maioria dos médicos julgue que a motilidade seja um elemento vital para a fertilidade.


Acredita-se que pelo menos 40% dos espermatozóides presentes num ejaculado devam ser móveis. Chama-se de astenospermia a condição pela qual um homem apresenta somente espermatozóides imóveis. Todas as doenças que alteram a produção dos espermatozóides podem, também, interferir em sua motilidade.


A varicocele é a condição mais freqüente e representa a principal causa da infertilidade masculina. Esta condição é caracterizada por uma anormalidade no sistema venoso - uma varize escrotal - que predomina no lado esquerdo devido à anatomia humana, mas pode estar presente em ambos os lados. Os homens portadores de varicocele teriam um aumento da temperatura no testículo devido à estase de sangue no local, e este aquecimento local causaria alterações na produção e motilidade dos espermatozóides.


Cirurgia ou embolização venosa seriam os tratamentos indicados quando detectados precocemente ou quando pudessem reverter a função testicular. Já numa fase mais adiantada, a fertilização in vitro pode ajudar este casal no que refere à concepção. Infelizmente, esta associação de varicocele e infertilidade é ainda uma área de muita controvérsia e cada caso deve ser cuidadosamente avaliado antes do tratamento, haja visto que muitos homens pioram após a cirurgia.

Obstrução dos sistemas (canais) que conduzem os espermatozóides

Se qualquer um dos sistemas canaliculares de transporte do espermatozóide estiver ausente ou obstruído, o mesmo não poderá atingir seu destino final.


As obstruções do epidídimo podem ser causadas por uma série de condições como infecção, aderências, vasectomia (esterilização masculina), ausência congênita, entre outras causas. Tratamentos microcirúrgicos para recuperar e/ou re-anastomosar estes túbulos podem ser realizados. E o casal pode, ainda, necessitar ou optar pela fertilização in vitro antes de se submeter a procedimentos cirúrgicos mais invasivos. A coleta de espermatozóides diretamente do epidídimo pode ser tão simples como uma aspiração através de uma fina agulha como as usadas para coleta de sangue de recém-nascidos.


Alguns homens nascem com ausência do epidídimo ou parte dele e muitos são portadores de uma condição genética chamada de Fibrose Cística. Para tanto, o homem e sua parceira necessitam realizar testes para investigar a possibilidade de transmitir esta condição para os filhos; poderão, também lançar mão da fertilização in vitro na qual se realiza um teste específico para investigar se o embrião (futuro bebê) é portador desta enfermidade. Neste caso, só os embriões sadios seriam transferidos ao útero da mulher.

Dificuldades de ejaculação

As dificuldades ejaculatórias ocorrem num pequeno número de homens inférteis acometidas por diabetes mellitus (podem apresentar ejaculação retrógrada - diretamente para dentro da bexiga), hipertensão, fazendo uso de fortes tranqüilizantes, ou que sofreram acidentes (como os paraplégicos e quadriplégicos), e em alguns homens que apresentam distúrbios neuropsiquiátricos. Cada homem deverá ser tratado individualmente, já que várias modalidades se aplicam às diferentes causas.


Casais que mantém baixa freqüência sexual, que apresentam práticas anormais ou distúrbios psicosexuais podem apresentar infertilidade. Todavia é importante salientar que infertilidade não é um problema sexual e infelizmente este mito ainda é divulgado no círculo de um grande número de homens.


O caminho para uma solução é o interesse e dedicação do casal para que, junto ao médico, formem um time unido para resolver o problema na forma cientifica e "medicamente" mais honesta, respeitosa, menos cara e mais rápida - no passo que os pacientes se sintam humanamente respeitados e emocionalmente respaldados. E para isso ocorra, tudo começa com um espermograma, conhecimento de causa pelo casal e com uma orientação idônea!



* Dr. Paulo César Serafini é Diretor Geral do Huntington Centro de Medicina Reprodutiva Brasil. Pós-graduado na University of Southern California (USC) em Los Angeles (USA). Especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana pelo Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia dos Estados Unidos.


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