Sexta-feira, 25 de julho de 2014
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Leitura, desafio de pais e professores

Por Norma Leite Brandão *


Habituar os filhos a mergulhar nos livros nem sempre é fácil. Aprenda, aqui, como estimulá-los.

Quando as crianças são pequenas, tudo parece mais fácil. E é mesmo. Vivem um período de intensas descobertas a respeito do significado da palavra escrita. Ao mesmo tempo, são aventureiras, mergulham na fantasia, nos heróis e na imaginação. Tudo parece facilitar o contato com os livros nesse período. Não é por acaso que grande parte da literatura é direcionada ao público infantil - um público certo e definido.


Mas as crianças crescem. Nesse crescimento apropriam-se de diferentes tecnologias, absorvem muitas informações num tempo muito rápido por meio da TV, da Internet e de outros meios de comunicação. E tudo isso não é leitura? Sem dúvida alguma. Continuam lendo, o tempo todo, mas algumas parecem afastar-se pouco a pouco do contato permanente com os livros. Realizam-no como uma obrigação escolar, a duras penas. Lêem estritamente o necessário e, quando muito, se for cobrado algum tipo de avaliação escolar. E aí?

Lace-o pelo interesse

E aí que se isso for uma realidade para seu filho, há coisas que podem e devem ser tentadas para reverter o quadro. E quanto mais cedo, melhor. A primeira delas e, talvez, a mais importante, parece ser verificar os reais interesses da criança ou adolescente. Sempre há boa literatura disponível sobre qualquer assunto. Por que não começar focalizando aquilo que mais o mobiliza no momento?


Aqui vale música, biografias, suspense, terror, enfim, o que for mais representativo e desperte o gosto de seu filho.O desenvolvimento da leitura com real significado está ligado à necessidade e aos interesses individuais. É nossa curiosidade permanente sobre vários assuntos que permite a busca de diferentes textos, de diversos autores. Ajudar seu filho a gradativamente criar fôlego para leituras mais profundas e complexas também faz parte do processo. Mas vá com calma. A princípio deixe-o bem livre para escolher.


Visitas a livrarias, bibliotecas circulantes podem ajudá-lo, não somente em relação às diferentes opções para um mesmo tema, mas também no que diz respeito ao volume de texto para cada faixa etária. Esse parece ser um caminho mais adequado, se houver resistência. Se a leitura é necessária, também é verdade que trabalhar com o desejo de ler é algo anterior.

A valorização da leitura obrigatória

Valorize, paralelamente, as leituras oficiais, pedidas pela escola. Aqui seu filho não tem saída. Então, se houver resistência, ajude-o a enxergar a riqueza que tem em mãos. Isso pode ser feito de diferentes maneiras: converse sobre o assunto lido. Mostre-lhe outros livros com o mesmo tema ou outras obras do autor estudado. Isso tudo quer dizer: partilhe, em alguns momentos, suas impressões e escute o que ele tem a dizer sobre suas dificuldades, facilidades ou inquietações.


O papel dos pais, nesse momento, vai além da cobrança de uma boa nota na avaliação escolar. Espera-se que eles ajudem as crianças e jovens a perceber a real importância dos atos de leitura para seu futuro. Isso não se faz com longas explanações, mas, muitas vezes, em conversas informais e pelo exemplo. Crianças criadas em lares em que os pais utilizam a leitura com prazer e de forma sistemática normalmente são leitoras mais fluentes e demonstram maiores facilidades no manuseio de textos.

O tempo certo

É muito importante que se tenha em mente uma coisa: há um tempo certo para que alguns valores sejam descobertos e cultivados. Em relação à leitura, parece ser básico que se desperte o gosto e a persistência na primeira e na segunda infância. Impossível reverter o quadro na adolescência e na fase adulta? Não, claro que não. Mas tudo pode ficar mais difícil diante da rebeldia juvenil. O envolvimento com a leitura é fundamental não somente para formar leitores competentes, mas adultos que escrevam com propriedade.


Para que o ato de ler não se transforme, no futuro, em algo burocrático, os educadores, sejam pais ou professores, devem se perguntar sempre, e desde muito cedo:

  • Que valor realmente é dado pela família e pela escola ao trabalho com livros? É prioridade no tempo e nos gastos?

  • Oferecemos material adequado para que as crianças maiores e jovens descubram a riqueza do bom texto?

  • Conseguimos, por meio de nossos atos, valorizar a importância do mergulho no sonho e na fantasia em qualquer idade?

  • Propiciamos material e ocasiões para o desenvolvimento do fôlego e da persistência na leitura de livros com textos mais extensos e vocabulário mais complexo?

    Iluminar a trilha

    Sabe-se que essas são questões iniciais para que se consiga formar um bom leitor. Deveriam estar presentes na vida dos pais desde muito cedo a fim de que, na adolescência, período conturbado e de grande transformação, os jovens buscassem na literatura possibilidades de respostas às inquietações, de viagens a lugares desconhecidos, de mergulho na fantasia.


    Heloísa Prieto, escritora, diz que "contar uma história é resgatar o próprio destino: descobrir a que sonhos pertencemos e encontrar caminhos para a própria vida." Essas são sábias palavras não só para quem conta, mas para quem lê, para aquele que é capaz de se aventurar nos caminhos dos grandes contadores de histórias. Seu papel é um só: iluminar a trilha. Para tal, servem lamparinas, lanternas, holofotes ou mesmo velas. Mas ilumine. Sempre. Desde cedo e em todas as idades.


    * Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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