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Dermatite atópica

Por Carla Oliveira * em 24/02/2003


Coceira, vermelhidão, feridas... estamos falando de dermatite atópica. Essa doença atinge 3,5 milhões de brasileiros e pode aparecer logo nos primeiros dias de vida. Boa notícia: já existe um remédio que pode ser usado em bebês!

A dermatite atópica é uma doença que provoca lesões na pele - chamadas de eczemas - e muita coceira. É uma doença mais comum do que se imagina, pois atinge cerca de 15% da população mundial, incluindo as crianças. Além do incômodo, a dermatite atópica pode ainda causar constrangimento. Algumas pessoas, principalmente crianças e adolescentes, têm vergonha de deixar à mostra a pele infeccionada.


Não é uma doença contagiosa, já que sua origem é hereditária. Se um dos pais sofre de dermatite atópica, asma ou rinite alérgica, a chance de seu filho possuir uma dessas doenças é de 25%. Quando ambos manifestam alguma forma de doença atópica, esse número sobe para 50%.

Ai, que coceira!

As lesões provocadas por essa doença são avermelhadas e aparecem mais freqüentemente na face, no pescoço e nas dobras do corpo, como o cotovelo e a parte de trás do joelho. A pele infeccionada fica ressecada, podendo apresentar rachaduras. "Bebês e crianças pequenas que têm alergia a picadas de mosquito ou cuja pele é bastante ressecada têm maior predisposição a manifestar a dermatite atópica", explica a dermatologista Daniela Pellegrino, de São Paulo.


Frio ou calor intenso, mudanças bruscas de temperatura e até mesmo a transpiração excessiva podem piorar a dermatite atópica, aumentando a coceira. Por isso, não são indicados exercícios físicos intensos, nem banhos muito quentes. "O banho deve ser rápido, com água morna e não se deve usar bucha nem passar sabonete pelo corpo todo", ressalta a Dra. Daniela.


Na casa, evite objetos que acumulem poeira, como carpetes, tapetes, cortinas e bichinhos de pelúcia. "As janelas devem estar sempre abertas para arejar o ambiente e evitar a proliferação dos ácaros", explica a dermatologista. O contato com produtos químicos, roupas de lã ou de tecido sintético e fumaça de cigarro também deve ser evitado. Estresse, raiva e ansiedade são outros agravantes importantes.

Formas de tratamento

Para tratar a dermatite atópica, os medicamentos mais usados são os anti-histamínicos, os antialérgicos e as pomadas de cortisona. "Óleos e cremes hidratantes também podem auxiliar no tratamento. Mas, é fundamental consultar um dermatologista para que ele prescreva o medicamento correto para cada caso", alerta a Dra. Daniela.


Foi lançado recentemente no Brasil um novo medicamento, chamado Elidel, que não contém corticóide e, por isso, causa menos efeitos colaterais. A boa notícia é que o Elidel pode ser usado em bebês a partir dos 3 meses de idade, em qualquer parte do corpo, inclusive onde a pele é mais fina, como o rosto e o pescoço.


Aos primeiros sinais de vermelhidão e coceira, é importante marcar uma consulta com um dermatologista, para que ele faça um diagnóstico preciso. Muitas pessoas confundem a dermatite atópica com alergias ou mesmo sarna e não fazem o tratamento adequado. Também é interessante procurar os grupos de apoio ao portador de dermatite atópica, como o que existe no Hospital das Clínicas, em São Paulo.


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