Segunda-feira, 01 de junho de 2020
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Será que somos bons pais?

Por Carla Oliveira *


O medo de criar filhos que apresentem problemas de comportamento ou de envolvimento com drogas é uma preocupação constante de qualquer casal. Afinal, existe uma receita para não errar?

Quando os filhos crescem e começam a traçar seus próprios caminhos, a cabeça dos pais enche-se de dúvidas. Essa insegurança é normal, pois na infância os filhos ficavam sempre por perto, sob a proteção constante da mãe e do pai. Já adolescentes, fora do ambiente familiar e vivendo novas experiências, fica o medo de que tomem caminhos errados e, principalmente, se envolvam com drogas.


Resumindo, o que os pais querem mesmo saber é se deram uma educação adequada aos seus filhos, se conseguiram lhes ensinar seus valores e princípios. Afinal, é na adolescência que podemos ver refletido o resultado de tudo o que foi ensinado ao longo da infância.

Boa educação começa no berço

Segundo a psicóloga Ceres Alves de Araújo, desde o primeiro mês de vida a criança já assimila conhecimentos e por isso os pais devem estar atentos ao seu papel de educadores logo no início. "Se, a qualquer choro do bebê, a mãe já interpreta como sofrimento e sai correndo para acalmá-lo, ela não permite que ele enfrente nada sozinho. O choro, muitas vezes, é simplesmente uma forma de expressão do bebê", diz.


De acordo com Ceres, toda a estrutura da personalidade é construída na relação com os pais. O padrão de certo e errado vem dos pais. Quando as crianças são pequenas, elas os idealizam. Se os pais permitem tudo e a criança "manda" neles, ela não terá quem idealizar e, por isso, terá problemas de valores ao crescer.

Onde estão os erros

Para Ceres, o principal erro dos pais, que acaba gerando os chamados "adolescentes-problema", é justamente achar que as crianças não podem ser contrariadas e têm de ter suas necessidades atendidas a qualquer custo. "Antigamente, os pais eram severos demais. Quando o pai dava alguma ordem, não tinha discussão. Hoje, é o contrário. A criança fala e os pais obedecem", ressalta.


Crianças que crescem com uma liberdade exagerada não sabem lidar com a frustração e nem ser civilizadas. "A educação deveria trazer princípios, normas, valores. Mas as crianças só estão aprendendo a fazer o que elas querem e não o que deveriam fazer" critica a psicóloga. O resultado disso são adolescentes prepotentes, imediatistas e com dificuldade em aceitar limites. Portanto, se você não quer enfrentar uma verdadeira batalha, no futuro, com seus filhos adolescentes, comece já na infância a dizer não, quando for necessário.


Insegurança e dificuldade em traçar metas e objetivos também são reflexos de uma educação muito permissiva e liberal. Isso porque, se a criança não aprende desde cedo a lidar com conflitos, não se sente estimulada a lutar pelas coisas. Portanto, dizer não também significa zelar pelo futuro de seu filho.

Conheça seu filho, converse com ele!

Se seu filho já é adolescente, a questão dos limites continua valendo. Mas, é preciso saber dialogar. "Os pais estão cansados de explicar e só dão ordens, sem negociar", alerta Ceres. Para um adolescente, receber uma ordem sem poder discuti-la, só fará com que se afaste dos pais e se sinta incompreendido.


Portanto, conheça seu filho e dê valor aos seus problemas e conflitos, afinal você também já passou por isso. Se sua filha briga com o namorado, não ignore este problema achando que é bobagem, que vai passar. A maior reclamação dos adolescentes é achar que os pais não os entendem. Não é isso que você quer, certo?


Se você está preocupado com as más companhias, saiba que proibir seu filho de andar com este ou aquele amigo só tornará o amigo ainda mais interessante. Além disso, se os pais deram uma educação adequada e confiam nos valores que transmitiram aos filhos, não haverá problemas. "Não é impedindo a amizade com alguém que usa drogas, por exemplo, que se resolve o problema. Se o adolescente quiser usar drogas, ele usa", alerta a psicóloga.


E fique atenta para a felicidade do seu filho! "A melhor vacina contra as drogas é uma vida feliz", revela Ceres. Isso não significa ter tudo o que se quer, mas ter a sua dose de sucesso pessoal, de auto-estima, se sentir querido, ter amigos.


Por fim, se o adolescente aprendeu a obedecer quando criança, ele saberá desobedecer com consciência. "A vida sem riscos é muito sem graça. Mas, os riscos têm de ser calculados, pois a vida também é muito preciosa. O que os pais devem fazer é ajudar os filhos a serem protagonistas de sua própria aventura", conclui Ceres.


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