Quinta-feira, 27 de julho de 2017
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Educar é plantar boas sementes

Por Norma Leite Brandão *


Atividades culturais, como visitar museus ou assistir a concertos, são muito importantes para as crianças. Mas até que ponto se deve insistir se eles começarem a resistir?

Educar compreende, entre tantas outras coisas, oferecer aos filhos opções culturais que possibilitem uma formação mais ampla e completa. Atualmente é comum que as famílias se preocupem com cursos extras, que vão do estudo de um instrumento a aulas de balé, pintura, teatro, atividades esportivas entre tantas outras. Também é realidade que hoje há uma consciência maior da importância do contato freqüente, e desde cedo, com espetáculos teatrais, exposições de arte e concertos.


Mas diante de tal oferta, como selecionar o que realmente fará diferença e ajudará seu filho a se desenvolver? Mais do que isso: de que forma e até que ponto a família deve insistir em determinada atividade sem causar, na criança, um verdadeiro horror ao que é proposto?

Experimentar não custa nada!

Bem, é essencial que diante de um trabalho dessa natureza haja gosto, desejo pelo que se faz. Mas o desejo não nasce do nada. Ninguém almeja o que não conhece, o que não lhe foi oferecido. Ao mesmo tempo, muitas vezes os filhos optam por atividades que, na prática, não se revelam o esperado. Por essa razão, faz-se necessário um período de experimento, em que a criança se perceba na atividade.


Cada filho é um ser singular e tem necessidades específicas quando o assunto é formação complementar. De nada adianta insistir no balé ou na aula de cerâmica se o interesse real da garota está no violão ou na capoeira... Isso fatalmente tornará qualquer atividade um inferno, além de não propiciar o mais necessário: a descoberta de um gosto e de uma habilidade a ser desenvolvida.


Mas os filhos só conhecerão suas tendências se algumas frentes lhe forem abertas como opção. Nesse momento vale escolher cursos que permitam um tempo - ainda que curto - de experiência, de observação. Também devem ser levados em conta os interesses que você, desde cedo, percebe em seu filho, em suas ações diárias.


Há crianças que, desde bem pequenas, demonstram tendências que não podem ser desperdiçadas. Elas aparecem nos desenhos elaborados com freqüência, no gosto especial pela música ou no interesse específico por algum esporte. Essas são pistas que, sem dúvida alguma, podem ser de muita valia para que a atividade complementar não se transforme em tortura para ambas as partes.

Quando é preciso quebrar resistências

Mas... e quando o assunto é visitas a museus, teatros ou audições de peças musicais? Bem, aqui vale insistir que essas são atividades que não podem ser deixadas por conta da escola exclusivamente. Não é o ambiente escolar que faz o hábito, mas a família. Pais e mães que elegem, ao menos, uma ou duas atividades culturais a cada mês sabem que estão jogando sementes que, posteriormente, darão frutos.


Pode ser que, algumas propostas - visitas a exposições, por exemplo - não façam tanto sucesso quanto à ida ao teatro, mas... não abra mão desse tipo de atividade. Ela deve acontecer desde cedo. Sim, a expressão é essa mesmo: desde cedo. Sabe por quê? Porque quanto menores as crianças, mais abertas ao novo se revelam. Então, se a questão é quebrar resistências, tudo pode ficar mais fácil nesse período.


Para ter mais sucesso em algumas investidas, lance mão de tudo que puder: convide amiguinhos, estique o programa, depois, com algo que seus filhos gostem, como um lanche gostoso... mas insista. Sempre. Ainda que a cara feia apareça no início. Na grande maioria das vezes, ela surge por total desconhecimento da programação. Nesse sentido, abra jornais e revistas, converse um pouco sobre o evento a ser visto, enfim, prepare um pouco o terreno.


Claro, a preferência por uma ou outra atividade sempre existirá. O essencial, porém, é abrir o leque de opções e, aos poucos, fechar o foco nas propostas de maior interesse.

Percepção, equilíbrio e bom senso

O segredo de tudo parece estar nessas três palavrinhas mesmo. Porque, muitas vezes, nós, adultos, nos deliciamos com nossas áreas de maior interesse, gostamos de atividades específicas e achamos que, automaticamente, nossos filhos terão as mesmas preferências.



Em alguns momentos, queremos tanto que percebam a beleza e a importância de algumas coisas, que corremos o risco de afastá-los delas. Nesse sentido, perceber as necessidades de cada criança é o primeiro passo. O equilíbrio e o bom senso surgirão na medida em que seja percebido o maior o ou menor envolvimento com determinadas áreas.


Mas, o fundamental, mesmo, é que você, como pai ou mãe, consiga passar a seu filho o valor de uma visão mais abrangente de mundo. Essa visão não é dada por manuais, por aulas planejadas na escola, por sermões ou por estudos em casa. Ela nasce dos sentidos. Sim, do ouvir, do observar... das conversas informais que surgirão após uma peça teatral ou da visita a um museu. Informais mesmo. Nada de ficar dando aula, teorizando sobre o que foi visto. Pais devem ter cautela nesse sentido. Sua função é propiciar a atividade e deixar rolar... Qualquer coisa mais sistematizada deve ficar por conta da escola ou se seu filho lhe solicitar.

Encontro de gerações

Uma das grandes riquezas da vida é partilhar bons momentos com os filhos, enquanto ainda são novos e nos permitem essa experiência. Vivemos uma época perigosa que nos afasta das crianças e adolescentes. Nossas ações diárias nos pedem muito. Acabamos dando conta de todas as questões práticas, mas e o diálogo, a afetividade - elementos tão decisivos para a formação dos filhos? Pois bem, tudo aquilo que for feito no sentido de aproximar, de gerar confiança e afeto é bem-vindo.


Mostre-lhes que os pais são mais, bem mais do que seres que trabalham duramente e pagam suas contas. Faça com que vejam concretamente que eles encontram em você um companheiro que pode fazer com que vislumbrem segredos bem mais interessantes do que o que rola na péssima programação de TV ou nos, sempre repetitivos, jogos de videogame.


Essas são experiências de vida que reverterão em benefícios em todos os sentidos: desenvolverão o gosto pela apreciação estética, ampliarão a visão de mundo de seu filho e, o fundamental, estreitarão laços familiares.


* Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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