Sexta-feira, 05 de junho de 2020
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Diversão e disciplina com a ginástica olímpica

Por Luiza Helena Marcondes *


Subir na corda, pular na cama elástica e se equilibrar numa trave com mais de um metro de altura. Por meio da ginástica olímpica seu filho pode desenvolver todas essas habilidades, se divertir e ainda virar um perfeccionista!

De quatro em quatro anos o mundo todo gruda os olhos no grande espetáculo dos Jogos Olímpicos. E um dos momentos mais aguardados é a apresentação dos ginastas esbaldando charme e talento com movimentos precisos e muita concentração.


Se você já sonhou com esse tipo de esporte para seus filhos, vá em frente: embora pouco divulgada no Brasil, a ginástica olímpica é praticada em alguns clubes, inclusive com treinamentos competitivos. O Esporte Clube Pinheiros de São Paulo, por exemplo, aceita crianças a partir dos 4 anos de idade.

Brincar para aprender

Desde bem pequeno o ginasta já pode dar os primeiros saltitos na cama elástica. Nessa fase, ele conhece os aparelhos, dá cambalhotas no solo e se diverte muito. "O ginásio olímpico é semelhante a um parque de diversões. A criança brinca, aprende, desenvolve a motricidade e gasta muita energia", diz a coordenadora de ginastica olímpica do Pinheiros, Mirian Brunatti.


Aos 6 anos o futuro atleta pode realmente começar os treinos com fundamentos e técnicas específicas da modalidade. Nessa idade, iniciam-se os preparos físicos. O aluno precisa de muita força e flexibilidade para desenvolver os movimentos fundamentais do esporte.


As turmas que competem treinam diariamente de 3 a 5 horas, e que fazem recreação, 1h30. Nesse período, o esportista fortalece o corpo com alongamento, aquecimento e os exercícios práticos. Segundo a instrutora, estudos revelam que para o bom aproveitamento é preciso muita repetição. Todos os fundamentos devem ser perfeitos. "Em geral, os ginastas são perfeccionistas em tudo o que fazem, tanto no esporte, como em casa e na escola. São pessoas muito dedicadas", ela garante.

Força, agilidade e equilíbrio

Força, equilíbrio e concentração são os itens fundamentais para desenvolver bem as atividades no solo. No tablado, o aluno aprende os principais exercícios, como cambalhotas, saltos e coreografias, entre outros. Até os movimentos que serão realizados na trave, um aparelho de equilíbrio a 1,25m do solo, com 10 cm de largura, são desenvolvidos, a princípio, no chão.


Como ferramenta de auxílio ao preparo do físico é utilizada a cama elástica. Além de aumentar o fôlego é uma diversão para as crianças. "É um ótimo exercício aeróbio para estimular a respiração e queimar a energia", diz a instrutora.


Meninos e meninas desenvolvem as atividades em aparelhos diferentes. O único local compartilhado entre eles é o solo: um quadrado azul de 144m2 de área, coberto por um carpete que amortece o impacto dos saltos. As garotas realizam os movimentos na trave, no cavalo e nas barras assimétricas. Já os moleques treinam no cavalo com alções, nas barras paralelas, nas argolas e no trampolim. Todos eles exigem muito equilíbrio e flexibilidade.


Há explicação para essa diferença: a modalidade era utilizada nos treinos de guerra, porque exigia uma força extrema do combatente. As mulheres conheceram o esporte muito tempo depois. Mesmo em Olimpíadas, só começaram a competir em 1952.

Biotipo semelhante

Você já deve ter reparado na baixa estatura dos ginastas. Em média as meninas medem 1,40m e os meninos, 1,60m. Além de serem baixos são todos muito magros. Mirian Brunatti, garante que essa característica é coincidência e que os movimentos não comprometem a estrutura física e óssea da criança. "Indivíduos baixos e magros são os que conseguem fazer os exercícios com maior facilidade", afirma a treinadora.


Para o especialista em fisiologia e medicina esportiva Paulo Zogaib, de São Paulo, qualquer criança pode praticar ginástica olímpica desde que respeite os próprios limites e que os exercícios sejam adaptadas à sua faixa etária. "Teoricamente, o excesso da atividade física mudaria a maturação do corpo de uma criança de 5 ou 6 anos. Mas se for bem quantificada para cada aluno não há problema", explica o dr. Paulo.


Saiba que exagerar nos treinos também pode atrapalhar. O corpo reclama. O impacto dos exercícios pode provocar lesões nos joelhos e dores nas costas. Antes de matricular seu filho num curso de ginástica olímpica, converse com o instrutor e assista a uma aula. Leve a criança junto e confira se é realmente o que ela deseja fazer. Esse esporte exige muita dedicação!


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