Segunda-feira, 24 de novembro de 2014
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Por Carla Oliveira *


Durante a infância, a criança passa por fases em que prefere a companhia do pai ou da mãe, levando-os a achar que ela gosta mais de um do que de outro. Como lidar com isso?

Roberto e seu filho Henrique, de 5 anos, estão em casa brincando juntos, se divertindo. Feliz por estar passando um momento gostoso com seu filho, Roberto pergunta: "Você gosta muito do papai, não é?". O pequeno, com sua típica espontaneidade infantil, responde: "Gosto, mas gosto mais da mamãe". Intrigado, o pai quer saber porque. "Porque o rosto da mamãe não pica quando ela dá beijo", explica Henrique.


A mãe do menino, a engenheira Suzana, que presenciou a cena, disse que achou tudo muito engraçado. "O Roberto acha que ele deu essa explicação para consolá-lo e no fundo ficou um pouco decepcionado", conta. Suzana revela que os dois têm uma relação muito boa e carinhosa. "O Henrique gosta das histórias que o pai conta e eles riem muito juntos", afirma. Mas, ela confessa que passa mais tempo com o pequeno e é quem assume as cobranças com ele.


Até os seis ou sete anos, é normal que a criança seja mais ligada à mãe. Nessa fase, geralmente é ela a responsável pela maior parte dos cuidados com o filho: dá banho, faz comida, leva para a escola, ajuda a fazer lição, escolhe a roupa, pega no colo quando ele se machuca, etc. Por isso, a criança tem a sensação de estar mais protegida quando está perto dela.


"O vínculo que existe entre a criança pequena e a mãe é muito forte. Somente aos três anos a criança realmente percebe que é um ser independente da mãe", explica a terapeuta familiar Antonia Gomila Femenias. Essa ligação começa a ser formada ainda no útero e é fortalecida pela amamentação, pelos olhares e carinhos que a mãe troca com o filho desde os primeiros dias de vida.


Não se pode esquecer que a postura de algumas mulheres também contribui para essa situação, pois elas costumam assumir todas as responsabilidades com os filhos e acabam fazendo tudo sozinhas, seguindo à risca o velho ditado que diz que "ser mãe é padecer no paraíso", ou seja, é preciso sofrer. "No fundo, a mulher sente-se "menos mãe" quando não exerce esse papel, como se fosse seu dever exclusivo proteger ao máximo a prole", explica Antonia. Nessa história toda, o pai acaba sendo um pouco excluído, sem que a família tenha consciência desse processo.

Fique tranqüilo, é só uma fase!

Toda essa situação pode fazer com que a criança pense que o pai não é capaz de cuidar dela tão bem como a mãe e se sinta insegura perto dele. Felizmente, isso está mudando. Os homens estão se tornando cada vez mais participativos e se preocupando em fazer parte da educação dos filhos. E as mulheres estão abrindo espaço para eles, pois estão conquistando outros setores da sociedade também. Dessa forma, o peso sobre a mulher diminui e as crianças saem ganhando, pois percebem que os dois podem cuidar dela.


É importante entender, no entanto, que a criança ser mais ligada à mãe não significa que goste mais dela ou que não tenha afinidade com o pai. "A criança apenas sente-se mais segura perto da mãe, isso é uma fase pela qual todas passam", tranqüiliza Antonia. E, a partir dos sete anos, em média, as crianças aproximam-se mais do pai - principalmente os meninos. Esse é um período importante, no qual o garoto vai identificar-se mais com o pai, que é seu principal modelo de comportamento masculino.


O importante é não tentar interferir nessa situação, pois é algo temporário. "Os pais têm de mostrar ao filho que ele é amado pelos dois, independente de qualquer coisa", ressalta a terapeuta. Jamais a criança pode sentir-se culpada por achar que gosta mais de um ou de outro, por isso não fique forçando-a a expor seus sentimentos, na tentativa de entender porque ela apresenta essa preferência. É claro que os pais ficam chateados com isso e querem saber os motivos, mas a verdade é que é apenas uma fase.


"Crianças pequenas já têm tendência a achar que são culpadas por tudo. Se seu filho se mostrar preocupado ou se sentir mal por gostar mais do pai ou da mãe, diga que você o entende e que sabe que ele ama os dois, mesmo que de formas diferentes, que é normal sentir isso e ele não está errado", recomenda Antonia. A terapeuta também destaca que a mãe não deve se afastar do filho na tentativa de que isso o aproxime do pai, pois o pequeno poderá sentir-se abandonado por ela.

Em alguns momentos, esse favoritismo da criança por um dos pais pode criar alguns obstáculos, por exemplo, quando a mãe precisa sair e a criança se recusa a ficar com o pai. Nessas horas, é fundamental não ceder aos apelos dela. "Diga que você tem que sair, que ela vai ficar com o pai e que ele vai cuidar dela, e que depois você volta. Provavelmente ela irá chorar bastante, mas estabelecer limites desde cedo é muito importante", recomenda Antonia.


O pai deve ter bastante paciência para acalmar a criança, sem ficar bravo ou chateado com ela. Ele tem que passar confiança, começar alguma brincadeira, contar uma história. Mostrar que está presente, que também se importa com o filho. No fundo, a criança também tem muito medo de que a mãe não volte mais porque não a quer ou porque não gosta dela. "Isso é uma fantasia comum entre as crianças, e é por isso que elas vivem testando a paciência de seus pais: para descobrir se eles realmente a "agüentam" ou vão querer se livrar dela", explica a terapeuta.


Quanto mais insegura for a mãe, mais insegura será a criança, que sente tudo intuitivamente. Por isso não se deve mentir para a criança. Se você disser que volta logo, não demore. Se tiver que ficar longe muitas horas, deixe isso bem claro, senão o pequeno poderá achar que você o abandonou. O que não vale fazer de jeito nenhum nesse momento é: subornar a criança dizendo que ela vai ganhar alguma coisa caso deixe a mãe sair, ameaçá-la com castigos e punições, ou deixar a decisão nas mãos dela, pedindo "deixa a mamãe a sair, por favor". "A criança precisa de limites tanto quando precisa do ar que respira", ressalta Antonia.


Também pode acontecer da criança sentar no meio dos pais quando eles estiverem sentados muito próximos no sofá, por exemplo, numa atitude que demonstra claramente o ciúme e a vontade de ter a mãe só para ela. Nesse caso, o pai tem de explicar que, apesar da mãe ser só dele, essa mesma mulher também é sua esposa e ele também quer ficar junto dela. Por mais que a criança ofereça resistência, não a deixe dominar essa situação. Do contrário, não se surpreenda se dali a algum tempo seu marido tiver que dormir na cama do seu filho, já que este tomou o lugar daquele no quarto do casal!

Pais separados, atenção dobrada!

Se quando estão juntos os pais procuram atenuar os momentos em que os filhos demonstram mais carinho por um ou por outro, para que ninguém se magoe, quando estão separados a briga pelo favoritismo dos filhos acaba se tornando motivo de guerra. E, nessa guerra, quem sai perdendo são as crianças, que acabam sendo manipuladas por ambos. Encher a criança com brinquedos, guloseimas e passeios é uma atitude muito comum em casais divorciados. Os dois querem conquistar a criança, para mostrar ao "ex" que são preferidos. Falar mal do ex-cônjuge, para influenciar a opinião da criança, também acontece muito e é algo extremamente ruim para os pequenos, que se sentem divididos e confusos.


Os pais não devem interferir nos sentimentos dos filhos, ainda mais se estão se divorciando, pois esse momento é delicado e pede cuidados em dobro. O sentimento de abandono e de culpa aparece normalmente nas crianças pequenas quando a separação acontece e você não quer tornar isso pior, certo? Portanto, nada de ficar disputando o afeto do seu filho como forma de atingir seu ex-marido ou sua ex-esposa. Mágoas e ressentimentos devem ser resolvidos entre os adultos, deixando as crianças fora da confusão - tanto quanto possível!


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