Sábado, 24 de outubro de 2020
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Meu filho não quer comer!

Por Carla Oliveira *


Por mais que você se esforce, ele vira o rosto, faz cara feia, chora e se recusa a comer. Saiba porque isso pode estar acontecendo com seu filho.

Muitos fatores afetam o apetite das crianças, entre eles a monotonia. "É extremamente importante que a dieta de uma criança seja bastante variada. Quanto mais colorido for o prato da criança maior será a oferta de vitaminas e minerais, maior será o estímulo ao paladar e ainda mais atrativa e interessante será a refeição", explica a nutricionista Andréa Fraga Guimarães, professora da Universidade São Camilo, de São Paulo.

Andréa esclarece que é normal que o apetite diminua entre 1 e 4 anos, por diversos fatores. Em primeiro lugar, a velocidade de crescimento diminui, o que reduz naturalmente a necessidade energética. A criança também passa a ter mais interesse pelo ambiente que a cerca, o que desvia sua atenção da alimentação. Além disso, ela aumenta seu poder de decisão e passa a fazer suas próprias escolhas. "Por volta dos 4 ou 5 anos as crianças voltam a se interessar pela alimentação e, aos 8 anos, a participação na alimentação é integral", afirma.

"Alguns sinais que podem ajudar na avaliação da inapetência da criança são o padrão de crescimento, a apatia e o desânimo. Se a criança está comendo menos, mas continua crescendo e apresenta-se ativa, brincando sem se sentir cansada, isso é normal para a idade", ressalta a nutricionista. No entanto, Andréa lembra que muitas doenças podem afetar o apetite, e nada substitui a avaliação médica para concluir se a redução da ingestão alimentar da criança é ou não devido a alguma doença.

Detalhes que fazem a diferença

Muitos fatores como a aparência do prato ou a quantidade de comida oferecida têm influência sobre a quantidade de comida que a criança ingere. Os alimentos não devem ser servidos misturados no prato, para que a criança possa identificar o sabor e a textura de cada um. O prato deve ser atraente, colorido e a quantidade servida deve ser proporcional ao tamanho da criança. "Quando a criança deixa comida no prato é um sinal de que comeu o suficiente para atender suas necessidades, quando come tudo possivelmente não se satisfez", explica Andréa.

É importante manter horários regrados para as refeições. "Em geral, uma refeição a cada três horas parece ser bastante apropriado", recomenda a nutricionista. Se seu filho se recusa a comer um determinado alimento, não o pressione. Espere uns dias e ofereça novamente. Se ele realmente não gostar, respeite.
Muitas vezes, as crianças pequenas podem se recusar a comer porque os dentinhos estão nascendo, o que provoca dor. Se isso acontecer, prepare refeições mais macias, pastosas ou até liquefeitas. No entanto, volte a oferecer alimentos sólidos assim que essa fase passar, pois a mastigação é essencial para o desenvolvimento da dentição.

Se a criança se recusou a comer no almoço, por exemplo, ela provavelmente irá reclamar de fome mais tarde. Não ofereça a ela um lanche, mas sim o mesmo prato oferecido anteriormente. "Ao oferecer lanches, as crianças podem perceber que, não almoçando, ganham mais tarde um lanche que pode ser mais "gostoso" que o almoço", destaca Andréa.

Família reunida e ambiente tranqüilo

As refeições devem ser realizadas em um ambiente tranqüilo, com a presença da família, sem brigas ou cobranças. Os pais devem dar o exemplo. "Afinal, como querer que um filho coma espinafre se ninguém na mesa come o verde que está no prato dele?", ressalta a nutricionista. Por mais que a criança faça sujeira nos primeiros anos de vida, não exija dela bons modos à mesa, pois seu desenvolvimento motor ainda não permite que ela manipule bem os talheres.

Não tente agradar, distrair, enganar, chantagear, bater, forçar, fazer comparações ou brincadeiras para que a criança coma. É preciso respeitar o apetite e o paladar das crianças. "Um alimento recusado hoje pode ser aceito naturalmente dias depois, sem a necessidade de artifícios e sem que seja associado a momentos ruins. Já a recompensa pode fazer a criança associar a alimentação com recompensas de vida, ou seja, se eu comer terei o que quiser", orienta Andréa.

Doces e mamadeiras demais atrapalham

O excesso de mamadeiras também pode provocar falta de apetite nas refeições. Segundo Andréa, entre 6 e 8 meses, o bebê deve ingerir 4 mamadeiras de 150 a 200ml e, entre 8 e 12 meses, 3 mamadeiras de 250ml. "Após 12 meses de idade, a criança já tem condições motoras de utilizar copos e xícaras, por isso a mamadeira é um utensílio que só deve fazer parte da alimentação da criança no primeiro ano de vida", orienta. Não use a mamadeira para substituir refeições e faça a higiene oral da criança antes dela dormir, para evitar cáries.
Bolachas, bolos, doces e outras guloseimas devem ser oferecidas sempre após uma refeição completa e equilibrada. "Doces são alimentos incompletos, normalmente só oferecem açúcar como nutriente. Comendo doces antes das refeições, as crianças podem deixar de ingerir quantidades importantes de nutrientes essenciais ao seu desenvolvimento". Porém, proibir o consumo de guloseimas não é a solução, pois apenas faz a criança supervalorizá-las.

Se mesmo seguindo essas orientações você continuar preocupada com a falta de apetite de seu filho, nem pense em oferecer a ele suplementos nutricionais sem orientação adequada. Procure um médico ou nutricionista!


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