Quinta-feira, 17 de abril de 2014
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Ampliando o cardápio do bebê

Por Flavia Schwartzman *


O leite materno é o melhor alimento que existe, mas chega uma hora em que precisa ser complementado. Aprenda como.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que a criança receba o leite materno exclusivo até 6 meses de idade. A partir daí, ele deve ser complementado com a introdução adequada de outros alimentos que fornecerão, junto com o leite, todos os nutrientes de que ela necessita. O aleitamento materno deve prosseguir até o primeiro ano de idade e, a partir dai, até quando a mãe e a criança desejarem.


A introdução de alimentos sólidos não deve significar a suspensão do aleitamento materno. Ao contrário, o leite materno (ou a fórmula) devem continuar sendo a alimentação principal de seu bebê até ele completar 1 ano de idade e um alimento importante durante o segundo ano.


Enquanto a criança estiver sendo amamentada exclusivamente durante os primeiros 4 a 6 meses de idade e estiver crescendo e se desenvolvendo adequadamente, não há necessidade de se suplementar o leite (com água, chás, fórmulas, sucos), nem de se introduzir outros alimentos.


A idade ideal para a introdução dos alimentos se dá a partir dos 4 a 6 meses de idade, quando apenas o leite materno passa a não ser mais suficiente para suprir todas as necessidades nutricionais da criança. Também, nessa época, surgem os primeiros dentinhos, os nervos e músculos da boca estão suficientemente desenvolvidos para começar a morder e mastigar, o sistema digestivo da criança está preparado para receber outros alimentos e o bebê começa a dar sinais de que está pronto, do ponto de vista do desenvolvimento, para receber sólidos.


Os pais devem estar atentos aos sinais de cada criança, pois existem variações individuais. O bebê deve apresentar uma dessas características:

  • mostra interesse pela comida das outras pessoas;

  • consegue segurar a cabecinha e se sentar com suporte;

  • quando deitado de barriga para baixo, levanta a cabecinha e agüenta o próprio peso com os cotovelos esticados;

  • parece continuar com fome após a mamada 8 a 10 vezes por dia ou tomando mais de 960 ml de fórmula;

  • começa a colocar coisas na boca.

    Introduzir muito cedo ou muito tarde

    É muito importante respeitar estes sinais na criança, pois a introdução precoce ou tardia pode trazer conseqüências negativas. Se for precoce diminuirá a ingestão de leite materno, pois o bebê irá ingerir outros alimentos no lugar do leite. Conseqüentemente, será mais difícil, para ele, conseguir todos os nutrientes de que necessita e, principalmente, os anticorpos do leite da mãe, extremamente importantes para a prevenção de uma série de doenças. Além disso, a produção de leite pela mãe poderá diminuir na medida em que a criança for mamando menos. Há também um maior risco de alergias, pois a criança será exposta mais cedo a alimentos para os quais ainda não está pronta.


    A introdução tardia também é inadequada, pois após os 6 meses de idade as reservas nutricionais de ferro, como também de outros nutrientes do bebê, já estão baixas. E somente o leite materno não consegue suprir as necessidades de energia e de nutrientes da criança. Por isso, se o bebê não começar a receber os alimentos sólidos, ele corre o risco de apresentar deficiências nutricionais e de crescimento.

    Alimentação sólida

    Os alimentos sólidos devem ser introduzidos individual e gradativamente. Ofereça um alimento de cada vez, pois se o bebê apresentar intolerância ou alergia será fácil identificar o alimento. Introduza um alimento novo a cada 3-5 dias. Uma vez que o alimento foi testado e tolerado, pode ser oferecido misturado a outros. Inicie os sólidos utilizando a colher, e não a mamadeira. Comece com pequenas quantidades e vá aumentando, aos poucos, conforme a aceitação da criança.


    Provavelmente ela irá comer pouco no início. Afinal, é tudo novidade. Siga oferecendo os alimentos até ela se acostumar. É normal o bebê colocar o alimento para fora da boca várias vezes durante a refeição pois ele ainda não tem muito controle sobre a língua quando começa a utilizar a colher. Não pense que ele está necessariamente rejeitando o alimento. Aos poucos ele irá aprender.



    Se ele virar a cabeça ou fechar a boca, pode ser um sinal de que não quer ou que não esteja pronto ainda. Respeite seu filho. Nunca o force a comer. Ofereça novamente após alguns dias.

    Suco e papa: de frutas e salgadas

    Inicia-se o desmame introduzindo suco e papa de frutas. Os sucos de frutas devem ser oferecidos no período da manhã, entre a primeira e a segunda mamada. Qualquer fruta pode ser utilizada, desde que a criança a aceite e não apresente intolerância ou reações alérgicas. Não há necessidade de adoçá-las, uma vez que as frutas contém o açúcar natural e já são bem docinhas. Além disso, é importante que a criança reconheça o gosto natural dos alimentos. Inicie com pequenas quantidades (cerca de 10 ml) na colher e vá aumentando, conforme a aceitação da criança, até 120 ml, na xícara ou no copo.


    Após alguns dias ofereça a papa de frutas no lanche da tarde. Da mesma maneira, introduza uma fruta de cada vez e não adoce. As frutas devem ser bem lavadas e raspadas ou amassadas com garfo (cozidas ou cruas), nunca passadas no liquidificador. Seu filho precisa sentir as diferentes texturas dos alimentos e ser estimulado a mastigar. Ofereça na colher, em pequenas quantidades e vá aumentando gradativamente, conforme a aceitação.



    Introduza a papa salgada umas duas semanas após ter introduzido as frutas, na hora do almoço. Ofereça inicialmente uma papa de legumes (mandioquinha, abobrinha ou cenoura) em pequena quantidade e aumente conforme a aceitação. Após alguns dias, acrescente a carne e outros alimentos, gradativamente.


    A papa deve sempre conter alimentos dos vários grupos alimentares para fornecer os diferentes nutrientes que a criança necessita. Tente colocar de 3 a 4 tipos de alimentos em cada papa. Os cereais, tubérculos e raízes como arroz, macarrão, farinha, batata, inhame, mandioca formam a base da papa e devem estar em maior quantidade, pois fornecerão a maioria dos carboidratos, calorias e volume.


    Complemente a papa com legumes e verduras, que fornecerão vitaminas, sais minerais e fibras. Você pode utilizar um de cada ou alternar entre os vegetais folhosos (almeirão, escarola, brócolis, espinafre, couve) e os legumes (abóbora, cenoura, chuchu, abobrinha). É importante variar, pois eles fornecem diferentes nutrientes.


    As carnes (bovina, de frango, de peixe ou vísceras) desfiadas ou moídas são excelentes fontes de proteína, ferro e zinco. O peixe pode ser utilizado na papa de crianças sem problema algum. Eles são ótimas fontes de proteína e fósforo, além de conterem um tipo de gordura essencial ao desenvolvimento do sistema nervoso. Dê preferência aos que não tenham espinha (cação, linguado ou badejo) ou certifique-se de que retirou todas as espinhas antes de oferecê-lo. A gema do ovo cozida pode ser utilizada como fonte protéica. A clara, por ser bastante alergênica, deve ser oferecida somente após os 10 meses de idade. As leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico) também são ótimas opções de complementos para a papa.


    Ao contrário dos adultos, os bebês ainda não estão acostumados ao sal, açúcar e temperos como óleo e cebola. Por isso, use-os com bastante moderação, pois assim eles poderão reconhecer e apreciar o gosto natural dos alimentos. Se você provar a comida de seu filho, muito provavelmente irá achá-la sem gosto, por isso não leve seu gosto em consideração ao temperá-la. O óleo deve ser de origem vegetal (milho, girassol, soja, azeite de oliva), os mais ricos em ácidos graxos essenciais, importantes para o metabolismo do sistema nervoso da criança. Mel não deve ser oferecido a crianças menores de 1 ano de idade, devido ao risco de causar botulismo infantil.


    Como forma de preparo, cozinhe bem, um alimento de cada grupo, tudo junto, em fogo baixo, até ficar bem cozido e com um pouco de caldo. Retire, amasse tudo com um garfo e ofereça à criança. A consistência de papa (e não de sopa) é fundamental. Sopas acabam sendo muito ralas e enchem o estômago do bebê sem fornecer as calorias necessárias. Por isso, a papa não deve ser líquida nem batida no liquidificador.


    Quando o bebê estiver substituindo a mamada do almoço pela papa salgada, deve-se introduzir a papa do jantar. Não há necessidade de oferecer uma grande variedade de alimentos em uma mesma papa. O segredo é variar, todos os dias. Mesmo porque se você colocar muitos alimentos, a papa sempre terá um gosto muito parecido, e a criança terá dificuldade de conhecer o gosto de cada alimento.

    Seguindo em frente

    Por volta dos 7 a 8 meses, o esquema alimentar da criança deve estar assim: leite materno de manhã, suco de fruta no lanche matinal, papa salgada no almoço, leite materno e papa de fruta no lanche da tarde, papa salgada no jantar e leite materno à noite, antes de dormir.


    Vá aumentando gradativamente a consistência dos alimentos, de acordo com a aceitação do bebê. Os alimentos em pedaços maiores preparam o bebê para o cardápio da família e também estimulam os movimentos e músculos que serão usados no processo de fala.


    Alguns alimentos não devem ser oferecidos a crianças pequenas devido ao risco de engasgarem. Dê uma olhada no artigo Cuidados para não engasgar para saber mais sobre isto. Lembre-se de que é seu filho quem vai decidir o quanto ele quer comer. O apetite deles pode variar muito de um dia para outro, e mesmo durante um mesmo dia. Fique atento aos sinais que ele lhe dá para dizer que está satisfeito como virar a cabeça ou fechar a boca. Respeite-o e nunca o force a comer. Mantenha o aleitamento materno no período da manhã e à noite, até quando for possível


    Lembre-se de que o leite de vaca (longa vida, o pasteurizado e o leite em pó) não deve ser oferecido para a criança antes que ela complete 1 ano de idade. Ele é mais difícil de ser digerido pelo bebê, pode provocar constipação e contém alguns nutrientes em excesso, podendo sobrecarregar os rins da criança, e outros, como ferro, em quantidades insuficientes, podendo levar à anemia. Também pode causar alergia ou intolerância à lactose. Se for necessário, seu filho poderá receber outro tipo de leite que não o materno antes de completar 1 ano de idade, desde que seja uma fórmula apropriada. Para saber qual a melhor, oriente-se com seu pediatra ou nutricionista.


    A partir de 1 ano, a criança já pode receber outros tipos de leite, como o longa vida, o pasteurizado e o leite em pó. Para crianças de 1 a 6 anos, os mais indicados são o leite integral, o leite enriquecido com ferro e o leite com adição de vitaminas, para evitar deficiências como a anemia, que são muito comuns.


    Leites semi ou desnatados não devem ser oferecidos a crianças menores de 2 anos de idade, pois não contêm quantidades suficientes de gordura e calorias. Os pequenos necessitam da gordura do leite integral para se desenvolver e crescer adequadamente. Crianças de 1 a 10 anos devem receber de 3 a 4 copos ou xícaras de leite por dia, ou o equivalente em outros alimentos ricos em cálcio para suprir as necessidades deste mineral.



    * Flavia Schwartzman é nutricionista, formada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, com especialização em Nutrição Materno-Infantil, Mestre em Nutrição pela Escola Paulista de Medicina.


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