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Gravidez precoce

Por Julienne Gananian * em 29/08/2001


Conheça a realidade das meninas que, tão cedo, se tornam mães e veja de que forma a sociedade e o governo podem contribuir para diminuir o índice de gravidez precoce no Brasil.

Cresce, cada vez mais, o número de meninas grávidas. Um em cada quatro dos partos atendidos pela Rede Hospitalar do SUS, é de mulheres abaixo de 19 anos. Adolescentes, que ainda estão se transformando física e psicologicamente, dão à luz e ganham a responsabilidade de criar e sustentar uma outra criança. Os números assustam: no ano passado foram mais de 32.000 partos de meninas entre 10 e 14 anos.


A gravidez precoce tornou-se um problema de saúde pública não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, a ex-primeira dama e hoje senadora Hillary Clinton recomendou a abstinência sexual para diminuir as estatísticas. Na França, o Ministério da Saúde autorizou que as adolescentes tomassem, com a supervisão das enfermeiras escolares, a pílula do dia seguinte, sem necessidade de receita médica.


O coordenador da área técnica de saúde do adolescente, Guilbert Ernesto de Freitas Nobre, do Ministério da Saúde, acredita que o problema seja também de ordem social, não só de saúde. "Esta gestação mostra que a adolescente não foi orientada corretamente e que o casal não utilizou os métodos anticoncepcionais. Além disso, o acesso à pílula, por exemplo, ainda é difícil, visto que não há permissão da sociedade para que a garota esteja sexualmente ativa" ressalta o coordenador.



Conclusão: a menina se envolve, tem relações sexuais e não recebe a orientação e o cuidado satisfatórios, tanto em relação à gravidez como para prevenir as DST´ s (Doenças Sexualmente Transmissíveis).

Mudança de rumo

A gravidez marca a vida e o destino da adolescente. Muitas vezes ela abandona a escola, comprometendo seu desenvolvimento profissional e pessoal. "A legislação garante o direito da grávida de afastar-se temporariamente da escola. Nos hospitais procura-se consolidar a "humanização do parto" para que ela faça os exames necessários, receba assistência pré-natal e seja orientada para que não abandone a escola" ressalta Guilbert.


Neste momento tão delicado, torna-se fundamental o apoio do companheiro, dos amigos e principalmente dos pais e da família. A vida da menina irá passar por grandes transformações e ela precisará de pessoas que a auxiliem. Após o parto, deve-se garantir o acesso aos anticoncepcionais para evitar uma segunda gravidez, que complicará ainda mais a situação em que ela se encontra.

Propostas e soluções

Como evitar que isso aconteça? As escolas e hospitais precisam estar bem estruturados e os professores e orientadores preparados para responder às dúvidas em relação à sexualidade de seus alunos. Guilbert Nobre afirma que os Ministérios da Saúde e da Educação já estão providenciando materiais educacionais para a capacitação das redes, postos, hospitais e escolas. A adolescente será inserida, também, no programa de saúde da mulher, que já existe, recebendo a orientação adequada para prevenir a gravidez.


A sociedade também precisa contribuir. Para que os índices sejam reduzidos, os pais devem estimular a discussão de uma maneira aberta. Não adianta fingir que nada está acontecendo e, dessa forma, impedir que os jovens tomem as medidas anticoncepcionais necessárias. "Hipocrisia e falso moralismo não funcionam. Diálogo e educação são imprescindíveis para que os preconceitos sejam quebrados. Assim os adolescentes terão o conhecimento e a permissão social para terem suas relações sexuais, de uma forma mais consciente e responsável" conclui o coordenador.


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