Quarta-feira, 20 de setembro de 2017
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Você fala, seu filho escuta. Parece milagre...

Por Carla Oliveira *


Respeito, atenção e muita paciência: essa é a receita de duas americanas para um bom entendimento entre pais e filhos

Adele Faber e Elaine Mazlish - mães de três crianças cada uma - ficaram célebres mundialmente com a publicação do livro Como falar para seu filho ouvir e como ouvir para seu filho falar, que já vendeu quase 2 milhões de cópias nos Estados Unidos. Lançado em 2003 no Brasil, o livro dá dicas para que os pais se comuniquem com os filhos de uma maneira saudável e eficaz. De acordo com as autoras, esse é um dos maiores problemas das famílias hoje em dia.


Segundo elas, métodos tradicionais como ameaçar, ser autoritário, pregar sermões e usar de sarcasmo em geral funcionam durante um certo período, mas, a longo prazo, perdem o efeito, além de serem prejudiciais às crianças: arranham a sua auto-estima e deixam-nas agressivas e petulantes.


Existem formas muito mais simpáticas de se comunicar com os pequenos, que soam como um verdadeiro convite à cooperação e ao encorajamento para que assumam mais responsabilidades.

Crianças também querem ser respeitadas

Em primeiro lugar, afirmam as autoras, é preciso escutar atentamente o que as crianças dizem e, ao mesmo tempo, ajudá-las a lidar com seus próprios sentimentos, sem questioná-las ou julgá-las. Você, mamãe ou papai, deve tentar identificar o que seu filho está sentindo e demonstrar compreensão.


Por exemplo, se ele disser: "Alguém na escola roubou meu lápis favorito", responda apenas: "É mesmo? Puxa, você deve estar bem chateado!". Nunca fale coisas do tipo: "Tem certeza de que você mesmo não o esqueceu em algum lugar?", ou "O que você esperava, já que sempre deixa as coisas largadas de qualquer jeito?", ou então "Não seja bobo, eu te dou outro lápis". Além de estar desestimulando seu filho a lhe contar outros fatos, ele terá a impressão de que seus sentimentos não são considerados.


Além disso, se você simplesmente o deixar falar em vez de fazer perguntas ou mesmo brigar, estará facilitando para que ele descubra sozinho a solução para o problema. "Já sei! Da próxima vez que eu sair da sala de aula vou esconder meu lápis!", ele poderá concluir, e o caso estará resolvido.

Eles não obedecem: o que fazer?

Outro grande desafio para os pais é como conseguir a cooperação dos filhos na realização de tarefas rotineiras - como tomar banho, não deixar os brinquedos espalhados ou ir para a cama - sem criar uma enorme confusão, com direito a protestos e choros. Quando os pais são autoritários, geralmente a criança não aceita e diz: "Eu faço o que bem entender, você não manda em mim". Além de não conseguirem o que desejam, os pais ainda serão rotulados de chatos.


Portanto - de acordo com as especialistas Adele e Elaine - para não transformar seu filho em inimigo, o melhor a fazer é nunca ser irônico, ofensivo ou impositivo, mas sim agir calmamente, explicando as razões pelas quais determinadas coisas precisam ser feitas. Às vezes, pedir com "jeitinho" já é suficiente. Em vez de dizer: "Quantas vezes eu já te falei para não esquecer a luz do banheiro acesa? Será que você não consegue fazer nada direito?", seja mais sutil: "Filho, a luz do banheiro ficou acesa. Você pode apagá-la?". Será bem mais eficaz, garante a dupla.


Se a criança sempre for tratada agressivamente, tendo seus sentimentos ignorados, acabará se sentindo incapaz, desprezada, assustada ou até culpada. Como conseguir a compreensão dos pequenos se eles pensarem dessa forma? Impossível. Para Adele Faber e Elaine Mazlish a convivência dentro de casa só será harmônica se houver respeito mútuo entre pais e filhos.


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