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Como enxergam os bebês

Por Dr. Mauro Plut * em 12/03/2001


Uma das dúvidas mais comuns em relação aos recém-nascidos diz respeito à sua capacidade de visão. Nunca temos certeza sobre quando e como eles começam a enxergar. Aprenda, aqui, um pouco sobre esse assunto.

Os bebês, logo que nascem, não enxergam bem. Isto acontece porque eles ainda não apresentam o aparelho visual completamente desenvolvido. Assim como em outras partes do nosso corpo, a visão vai se desenvolvendo, se aperfeiçoando e melhorando conforme o crescimento da criança.


Da mesma maneira que o bebê vai aprendendo, gradativamente, a andar conforme se desenvolvem os músculos e sistema nervoso das pernas, ele "vai aprendendo" a enxergar de acordo com o desenvolvimento das estruturas que formam o sistema visual (o olho e as ligações deste com o cérebro). Este desenvolvimento acontece principalmente no primeiro ano de vida.


O olho do bebê aumenta 50% de comprimento nos primeiros doze meses de vida e aproxima-se do tamanho adulto com um ano de idade. A maior parte deste crescimento é provocada pelo aumento da parte posterior do olho. As estruturas da parte da frente do olho da criança têm quase o tamanho do adulto. Por isso eles parecem ter olhos tão grandes.

O trajeto da luz

Para nós enxergamos, a luz atravessa a córnea, que é uma membrana transparente localizada na frente do olho, passa pelo cristalino, que é uma lente dentro do olho e serve para focar as imagens e, finalmente, atinge a retina, membrana localizada no fundo do olho.





Na hora do nascimento, embora ainda não tenha a curvatura e tamanho da de um adulto, a córnea é brilhante e transparente, permitindo normalmente a passagem da luz. O cristalino também já é transparente nesse momento, porém o mecanismo que coloca a imagem em foco sobre a retina ainda não está desenvolvido.


Este fenômeno, chamado "acomodação", desenvolve-se por volta do terceiro mês de idade. E é nesta época que o bebê começa a brincar com as mãozinhas, pois percebe que pode vê-las com nitidez, aproximando-as ou afastando-as, usando a acomodação.

Desenvolvimento paulatino

A retina, onde a imagem é formada, ainda não está completa ao nascimento e a área de visão mais nítida, chamada mácula, só estará desenvolvida aos seis meses de idade. Assim, embora o nenê possa enxergar com alguns dias de idade, a visão mais próxima à do adulto só pode ser obtida por volta dos seis meses de idade.


Nas primeiras semanas de vida o bebê interessa-se por grandes contrastes, isto é, áreas com diferença de luminosidade. Os olhos e lábios ressaltam mais no rosto e é por isso que os recém-nascidos olham fixamente para a face da mãe. Os bebês já podem fixar um objeto nos primeiros dias de vida e gradativamente vão aprendendo a seguir o movimento.

Comportamento visual normal

É importante sabermos qual é - e como evolui - o comportamento visual da criança, pois assim poderemos perceber se existe alguma anormalidade.


1º mês de vida: o bebê dirige os olhos para a luz (a janela, por exemplo). Consegue fixá-la e, principalmente, o rosto da mãe (dá a impressão de que olha diretamente nos seus olhos).


1 mês e meio: começa a sorrir e a se interessar mais.


3 meses: brinca com as mãozinhas (consegue focar para perto). Dessa forma aprende a coordenar os movimentos olho-mão e começa a segurar e olhar os brinquedos. Essa fase coincide com o desenvolvimento da orientação auditiva: o bebê começa a rodar a cabeça em direção a sons e ruídos próximos.


3 a 6 meses: começa a se interessar por um campo visual maior.


6 meses: observa os arredores, segue os brinquedos que caem da mão.


1 ano de idade: presta atenção em objetos à distância.


É normal existirem diferenças no desenvolvimento visual entre os bebês, entretanto se os pais notarem qualquer dificuldade de visão na criança devem comunicar ao pediatra e, eventualmente, procurar o oftalmologista. Um exame oftalmológico completo e preciso pode ser realizado com qualquer idade.



* Dr. Mauro Plut é oftalmo-pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Fellow em Oftalmologia Pediátrica na Universidade de Connecticut (EUA) e Mestre Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina.


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