Segunda-feira, 26 de junho de 2017
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Gêmeos, prazeres e desafios

Por Monica C. Burg Mlynarz *


Separar irmãos gêmeos na hora de ir para a escola nem sempre é a conduta mais correta. Tudo vai depender de como eles reagem quando ficam longe um do outro. Saiba, porém, que você pode ajudá-los a desenvolver sua individualidade.

A grande maioria dos pais e mães "grávidos" passa horas e horas lendo e se informando a respeito da gestação, do nascimento, dos primeiros meses de vida... Mas nada poderá, de fato, prepará-los para a emoção da tão esperada hora do nascimento: da preocupação com o choro do bebê às tantas noites mal dormidas.


Imagine, agora, se em vez de um, vierem dois ao mesmo tempo! Como fará a mãe para amamentá-los, para acudir essa dupla dinâmica que tantas vezes acorda com o choro do irmãozinho? E quando já houver outros irmãos pedindo atenção? Só a experiência, o amor e muita paciência poderão ensinar o caminho melhor a escolher em cada momento, a cada etapa do desenvolvimento. As variáveis são tantas que é muito delicado afirmar ser uma conduta mais acertada que a outra. Mas posso garantir: bom senso e flexibilidade resolvem as mais variadas situações.

Irmãos de corpo e alma

Adultos e crianças costumam encarar os gêmeos com interesse e curiosidade. Será verdade que eles têm uma linguagem própria? São mais próximos entre si do que outros irmãos? Há casos em que os pais ficam com muitas dúvidas a respeito de separá-los ou não na sala de aula, quando entram na escola. A esse respeito posso afirmar que, de alguma forma, eles compartilham uma relação muito especial e diferente de quaisquer outras duas pessoas.


Esse fato deve ser levado em consideração principalmente nos primeiros anos escolares. Os dois, tão acostumados um com a companhia do outro, se sentirão emocionalmente mais seguros, intelectualmente mais produtivos e capazes de dar conta do seu dia-a-dia quando o irmão - ou irmã - estiver ao seu lado, especialmente em situações novas.


Certamente eles também irão brigar. Todos os irmãos brigam! É muito importante deixá-los resolver as suas rivalidades. Ainda que seja necessário, às vezes, interferir para ajudá-los a dividir, a negociar ou até para evitar que se machuquem numa briga mais acalorada.

Uma separação gradual

Quando pequenos, os gêmeos têm algumas oportunidades de vivenciar
experiências sociais separados um do outro. O primeiro amigo "de fora" será, provavelmente, uma criança de quem os dois gostam e com a qual brincam muito bem. Os pais poderão ser facilitadores nesse momento, no sentido de lhes proporcionar situações individuais fora do ambiente escolar. Vale levar apenas um deles ao supermercado e deixar o outro com um vizinho ou com os avós, enfim, o que for possível. É importante que eles se habituem a ficar separados de vez em quando.


No 1o grau, é aconselhável que eles sejam colocados em classes separadas. Dessa forma terão a oportunidade de criar os próprios laços de amizade com os colegas. Nessa etapa os pais devem permitir que os gêmeos estejam próximos, ligados um ao outro, mas que possam, gradualmente, buscar interesses individuais. Não adianta forçar uma separação se eles não a desejarem: essa atitude poderá levá-los a se juntar ainda mais.

Duas pessoas diferentes

Os pais podem ajudar a fortalecer a individualidade dos gêmeos. Confira:


  • Não os vista de modo idêntico.


  • Sinalize e converse sobre as preferências de cada um dos irmãos: comidas, programas, brincadeiras favoritas.

  • Ajude-os a pensar em si mesmos, não numa dupla.

  • Ensine-os a não se referir a eles como "nós" mas com "eu e meu irmão".


    Saiba, no entanto, que juntos ou não, gêmeos terão tarefas diversas e jamais estarão lendo a mesma página de um livro. Ainda assim, poderão se ajudar mutuamente. Muitas vezes farão passeios diferentes, o que dará aos pais a oportunidade de aproveitar e conviver com cada um separadamente.


    De qualquer forma, use sempre o bom senso e a sensibilidade. E se chegar à conclusão de que você deve mantê-los juntos, faça isso. Todas as experiências são válidas e você sempre terá tempo para mudar de idéia, se chegar a conclusões diferentes.


    E lembre-se sempre: em todos os campos da experiência humana, não há possibilidade de aprender sem errar. E estaremos permanentemente em busca do melhor para os nossos filhos. Tudo o que precisamos é ter flexibilidade, abertura e humildade para mudar o rumo quando isso for necessário. Coragem e boa sorte!

    * Monica C. Burg Mlynarz é psicóloga clínica com especialização em Psicologia Educacional e Terapia de Família.


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