Quarta-feira, 01 de outubro de 2014
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Auto estima na dose certa!

Por Carla Oliveira *


Equilíbrio. Essa é a palavra-chave na hora de estimular a auto-estima do seu filho. Se o estimulo for pouco, você corre o risco de ser negligente. Mas, se exagerar, poderá igualmente prejudicar seu filho. O que fazer?

A auto-estima representa, em poucas palavras, o que uma pessoa sente em relação a si mesma. Engana-se quem pensa que para ter uma boa auto-estima é preciso ser bonito, inteligente, ou ter dinheiro. Está no caminho certo quem aprendeu a acreditar em si próprio, a entender suas limitações, a valorizar suas habilidades, a confiar em seus valores e principalmente, a se sentir feliz sem ter de corresponder às expectativas de todos que o cercam.


Como conseqüência, uma pessoa com boa auto-estima é mais feliz e tem mais chances de ser bem-sucedida em sua vida pessoal e profissional. E, mesmo que tenha que enfrentar dificuldades, essa pessoa não sofrerá tanto, pois manterá uma atitude positiva. Como se vê, esse conceito é de extrema importância, pois nele reside uma chave que abre inúmeras portas na busca da felicidade.


Por outro lado, uma pessoa com baixa auto-estima se sentirá desvalorizada, terá menos iniciativa e mais dificuldades ao encarar desafios, por não acreditar que possa fazer algo bom ou útil. Além disso, ela estará mais propensa a apresentar uma série de problemas, tais como alcoolismo, bulimia, obesidade ou depressão - é claro que isso também dependerá de outros fatores como herança genética, mas não se pode menosprezar a influência da auto-estima.

E as crianças?

Desde que toma conhecimento sobre sua existência, a criança começa a estabelecer uma imagem de si própria, ou seja, a construir sua auto-estima. Nesse processo, a atuação dos pais é fundamental. Para a psicóloga Tânia Aldrighi, os pais precisam, antes de tudo, ter consciência do que significa ter filhos e saber lidar com a chegada deles. Os casais costumam idealizar demais esse momento e só mais tarde percebem que a responsabilidade que têm é muito maior do que imaginavam.


Em seguida, os pais devem aprimorar sua habilidade de perceber as necessidades de cada um dos filhos, de saber relacionar-se com cada um e distribuir afeto entre eles. "Pais que desenvolvem tais habilidades estarão mais aptos para acompanhar, incentivar e participar do desenvolvimento das competências de seus filhos. A participação permite que o incentivo esteja mais perto do real e, ao mesmo tempo, dá oportunidade para a aprendizagem com base na experiência", afirma Tânia.


No final da década de 60, o psicólogo norte-americano Stanley Coopersmith buscou desvendar que fatores têm influência fundamental na construção da auto-estima das crianças. Ele acompanhou o crescimento de mais de 1.700 crianças e publicou os resultados dessa pesquisa no livro The Antecedents of Self-Esteem, que logo se tornou uma referência no assunto. Coopersmith verificou que as crianças que desenvolveram boa auto-estima viviam em lares onde:


  • Os pensamentos, valores e sentimentos das crianças eram compreendidos e aceitos.


  • As regras e os limites eram bem definidos, mas não opressivos. Como resultado, elas sentiam-se seguras.


  • Os pais não usavam a violência ou a humilhação como meio para serem obedecidos. Apesar de imporem regras claras, eles estavam sempre dispostos a discuti-las e negociá-las.


  • Os pais mantinham altas expectativas em relação ao comportamento e à performance de seus filhos, desafiando-os sempre a darem o melhor de si.


  • Os próprios pais tinham uma boa auto-estima, servindo de modelo para seus filhos.

    Auto-estima adquirida

    Se não se sentir amada, dificilmente a criança gostará de si mesma. Você, com certeza, ama seu filho. Mas você sabe demonstrar esse sentimento? Não adianta nada ficar rasgando elogios e tomando todos os cuidados possíveis para que ele não passe por nenhum tipo de sofrimento ou frustração. A auto-estima não pode ser "dada" pelos pais como um presente. Ela tem de ser construída aos poucos, como resultado de atitudes merecedoras de reconhecimento. Esse caminho é mais difícil, mas é o único eficaz! Veja o que você pode fazer no dia-a-dia:

  • Demonstre constantemente seu afeto por meio de beijos, abraços, palavras carinhosas e bilhetinhos. Encontre maneiras diferentes de dizer ao seu filho que você o ama.


  • Passe bastante tempo com seu filho. Só com ele. Leve-o para passear e dedique momentos especiais só para vocês.


  • Mostre a ele que você o ama não pelas coisas que ele faz, mas pela pessoa que ele é.


  • Estabeleça limites e regras claras, mas sem ser autoritário. Exponha seus argumentos e discuta as regras com seu filho.


  • Quando seu filho estiver conversando com você, evite ficar julgando as atitudes dele, pois ele não se sentirá à vontade para ir falar com você das próximas vezes.


  • Escute seu filho com atenção, mostre interesse pela vida dele, participe! Não há nada pior para ele do que pensar que ninguém se importa com sua vida. Quando ele estiver contando uma história, não tente apressar o final nem o interrompa para reclamar do trânsito, por exemplo.


  • Permita que seu filho expresse sua individualidade, sem que se sinta alvo de gozações ou críticas. Nunca o exponha ao ridículo.


  • Estimule seu filho a vencer os desafios e obstáculos que surgirem. Mostre que você acredita nele e cobre para que ele se esforce bastante. Se o resultado não for o que vocês esperavam, não faça de conta que isso não tem importância, mas ensine-o a lidar com o fracasso como uma forma de aprendizado.


  • Não dirija suas críticas ao seu filho, mas sim ao comportamento dele. Ao invés de dizer "você é um preguiçoso, vá arrumar seu quarto", diga "você não tem arrumado seu quarto, quero que vá fazer isso agora". E nada de dar broncas em público!

    Nem tudo é perfeito

    O maior desafio para os pais, entretanto, é saber como estimular a auto-estima de seus filhos na dose certa. Atualmente, os pais se obrigam a desempenhar seu papel com máxima competência, pois sabem que serão cobrados no futuro. O problema é que, na tentativa de fazer o melhor, eles acabam tomando atitudes contraditórias ou caindo no exagero.


    Existem pais que, ao mesmo tempo em que dão tudo para seus filhos, exigem demais deles, deixando-os desorientados. Assim como existem pais que querem proteger seus filhos e acabam impedindo sua autonomia. Com a auto-estima, não é diferente. Na intenção de alimentar a auto-estima dos pequenos, muitos pais exageram e acabam tecendo elogios desmedidos, enaltecendo a criança de forma indiscriminada, de modo que ela não consiga sequer distinguir suas conquistas de suas derrotas.


    "Nesses casos, o desastre é o mesmo. Isso pode acabar gerando uma criança que se arrisca sem medir as conseqüências, que não tolera a frustração e que se afasta de amigos, pois se ela sempre é avaliada como perfeita os outros sempre estarão na categoria de imperfeito", explica Tânia. E, além de tudo, essa criança poderá sentir-se extremamente insegura, ao perceber que nem tudo será sempre do jeito que ela quer e que ninguém a ensinou a lidar com isso. É preciso saber criticar, enxergar os erros, admitir as limitações. Saber conviver com o "imperfeito" é fundamental. Pense nisso!


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