Quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Página inicial do clicfilhos.com.br
    

Pais e professores, uma relação delicada

Por Fernanda Maria Garrafa Rocha Campos *


Ao escolher a escola de seus filhos, os pais passaram por um longo e sério processo em busca do conhecimento do método, forma de disciplina, tratamento oferecido e filosofia da instituição. Finalmente... a decisão e, com ela, a expectativa de que acertara

Que maratona! Depois de tudo isso, começa uma importante construção: a da confiança. Mas esta, virá paulatinamente, ao longo do tempo. É fundamental que os pais se sintam seguros, e passem esse sentimento para os filhos.

Educação infantil, o grande começo

É a primeira escola... seu filho ainda é tão pequeno! Muitas vezes ainda é um bebê e as necessidades do dia-a-dia fazem com que, cada vez mais cedo, essa seja a escolha da família.


Ela é e precisa ser especial. Tem que ser acolhedora, recebê-los (a vocês e a seu filho) "de braços abertos" e estar atenta e disponível sempre que for preciso. Assim começa a ser construída uma grande relação de confiança. Todos conhecem seu filho, sabem seu jeito, o quanto está se desenvolvendo e percebem toda e qualquer mudança, positiva ou negativa. É importante, desde já, a conversa, a troca de informações e idéias com professores e orientadores. Esse é um hábito saudável a ser desenvolvido, desde cedo, para prevenir futuros problemas e garantir um crescimento tranqüilo.

Pais e escola, lado a lado

Ao entrar na escola de ensino fundamental, novo recomeço, seja no mesmo espaço ou numa escola nova. É aqui que começa uma nova fase de construção de conhecimento e confiança, tão importante quanto a primeira. As classes são mais numerosas, há mais pessoas trabalhando com as crianças e sua independência já é maior. Isso gera certa insegurança, que exige uma atenção especial.


Os pais sentem-se, muitas vezes, perdidos e, ao invés de procurar ajuda com as orientadoras e professoras, acabam trocando entre si, criando as famosas "panelinhas" na porta da escola. Falam, reclamam, trocam dúvidas, incertezas e ansiedades...mas isso fica entre eles. Sua relação com a escola anterior ainda é forte e, muitas vezes, voltam a procurá-la buscando orientação e ajuda. Cuidado, isso vai complicar ainda mais a formação do novo vínculo. Na verdade, esse é o momento adequado para criar parceria com os profissionais que agora atuam com seu filho.


A escola, por sua vez, percebe a formação desses grupos, mas não se aproxima tentando se comunicar e ajudar. E aí...começam a aparecer problemas, insatisfações, inseguranças. Que, é claro, refletem diretamente no aluno. Quando ele sente o clima tenso, perde-se nas tarefas, dispersa-se, fica inseguro e, muitas vezes, somatiza e se recusa a ir à aula. Os professores percebem, irritam-se com seu comportamento e passam a chamar a atenção e mandar bilhetinhos para os pais.

Como desfazer esse nó

Se você escolheu essa escola é porque ela corresponde às suas expectativas. Portanto, a confiança, precisa existir. Pequenos problemas podem ser rapidamente resolvidos com um diálogo, mesmo informal, com a professora ou orientadora de seu filho. É nessa troca que decisões são tomadas, mudanças de atitude aparecem e refletem direta e positivamente no aluno.


Evite o "ti-ti-ti" com outras mães. Se você sente que algo não vai bem, não se deixe levar pela insegurança. Procure a escola, fale sobre suas ansiedades, expectativas e preocupações. Peça ajuda e ouça o que ela tem a dizer. Aliviará a sua tensão e será um bom começo para construir a relação de confiança.


Procure, também, participar das atividades e acompanhar as tarefas de seus filhos. Acompanhar não significa fazer por eles, nem com eles. Apenas mostrar que está ciente de seus deveres e disponível no caso de dúvidas. Lembre-se sempre: todos têm um objetivo comum - o desenvolvimento de seu filho.

Aliada em todas as horas

Procure enxergar a escola dessa forma. Para ela, o contato com os pais é sempre rico, pois dados e informações novas são acrescidos aos já conhecidos, o que amplia sua visão sobre a criança. É assim que ela obtém recursos para um melhor atendimento e se sente reforçada ao contar com os pais na resolução de problemas do dia-a-dia. As crianças, quando percebem essa parceria sentem-se confiantes, seguras e felizes e isso reflete em seu aproveitamento.


A construção desse vínculo acontece quando são rompidas as barreiras e a aproximação se dá de forma verdadeira. Confiança mútua e atuação conjunta - cada qual com sua responsabilidade e função - responderão de forma positiva no processo de crescimento de seus filhos.

* Fernanda Maria Garrafa Rocha Campos é pedagoga e educadora


Comentário:    
       

Matérias relacionadas

   
Problemas todos temos 11/07/2002 às 14:11:00

Dificuldades em casa: ansiedade, medo, vergonha de partilhar? Quando e por que abrir o jogo na escola?

   
Abuso sexual contra crianças 14/08/2004 às 14:27:00

Na grande maioria dos casos de abuso sexual contra crianças, o agressor é um parente ou conhecido da família. O que fazer para evitar essa ameaça que parece tão próxima?

   
Bullying, violência na escola 01/08/2004 às 11:19:00

Humilhação, intimidação, ameaça. Diariamente, estudantes de todas as idades são vítimas desse tipo de violência moral na escola. Os agressores são seus próprios colegas. Como lidar com essa situação?

   
Manual do ficar, especial para pais 17/06/2002 às 15:36:00

Para os pais que não viveram a onda do "ficar".

   
Crianças especiais 05/11/2003 às 13:40:00

Classes regulares aceitando alunos com necessidades especiais já são realidade em algumas escolas. Naturalmente, como em toda reformulação, existem dúvidas dos pais. Será positiva a convivência entre crianças com diferenças mais acentuadas?