Sábado, 25 de outubro de 2014
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Período integral sem culpa

Por Lucy Casolari *


A decisão de matricular o filho numa escola em período integral pede que os pais estejam convencidos de que essa é, realmente, a melhor alternativa.

Ao contrário de outros países, o período integral ainda não faz parte de nossa cultura, da mesma forma que o ingresso das mães no mercado de trabalho é um fenômeno recente, das últimas décadas. Isso pode explicar a razão de tanta insegurança e, sem dúvida, daquela pontinha de culpa que teima em atormentar as mães, tanto as que estão se decidindo, quanto aquelas que já fizeram sua opção pelo período integral.


Afinal, muitos adultos ainda se lembram, com nostalgia e saudade, dos seus tempos de infância. Brincavam na rua e subiam em árvores nos quintais, supervisionados por suas mães, presentes todo o tempo. Essa realidade parece, contudo, muito distante da vida atual das grandes cidades, onde pais e mães saem cedo para o trabalho, vivem um dia-a-dia corrido e só retornam para casa à noite.

Uma escolha consciente

Antes de tudo, é preciso refletir, analisar e pesar as vantagens e desvantagens para, só então, resolver se a criança irá passar o dia inteiro na escola. Ainda assim, podem surgir inseguranças. Para começo de conversa, é necessário pensar sobre o principal motivo dessa decisão. Quando o pai e a mãe trabalham sem flexibilidade de horários, fica a questão: o que fazer com a criança? Dependendo das circunstâncias, dos valores e sentimentos dos pais, talvez seja mais tranqüilo considerar uma solução que permita a permanência da criança na própria casa durante um dos períodos.


Se for extremamente penoso para os pais imaginar o pequeno passando o dia todo na escola, é possível que essa seja a melhor alternativa. Claro, isso vai exigir a companhia de uma babá de confiança, e, quem sabe, a monitoria das avós. Evidentemente, a criança precisará de alguém que administre seu tempo, estabelecendo a rotina sob a responsabilidade e orientação dos pais.


Lembre-se, entretanto, de que a presença da babá, por si só, não elimina o risco de a criança passar tempo demais na frente da TV ou, ainda, dos maiores ficarem horas seguidas absorvidos pelos videogames, sem as condições necessárias para se dedicar aos estudos, tarefas escolares e leituras. Além de tudo isso, convém lembrar que pode ocorrer um desequilíbrio alimentar, pois, sem um acompanhamento efetivo, as crianças tendem a se entupir, o tempo todo, de salgadinhos, doces e outras "bobagens".

Opinião dos especialistas

Entretanto, se houver dúvidas e inseguranças da família, tirar cedinho as crianças de casa, sobretudo em dias frios ou chuvosos, pode ser bastante difícil. São comuns os questionamentos dos pais a respeito das possíveis perdas e desvantagens para a criança. A respeito dessa questão, não há consenso entre os especialistas. Alguns questionam sua validade, especialmente para os menores até os três anos. A justificativa é de que teriam dificuldades para desenvolver a individualidade e se tornariam inseguros, por serem conduzidos de uma atividade para outra, sem a possibilidade de fazer suas próprias opções.


Outros especialistas, ao contrário, argumentam que a criança precisa sempre de um adulto para organizar seu tempo, seja em casa ou na escola, e ressaltam que os maiores ganhos são, sem dúvida, a independência adquirida e a socialização. Desse modo, a reflexão e a decisão cabem, exclusivamente, a cada família, de acordo com seus valores e visão de mundo.

O melhor para seu filho

Acima de tudo, a escolha de uma carga horária maior na escola só pode ser determinada se os pais acreditam que essa é a melhor alternativa para seu filho e não apenas uma solução para o atabalhoado dia-a-dia da família. Precisam estar convencidos de que a convivência com outras crianças, o atendimento e cuidados de profissionais especializadas e a estimulação adequada à faixa etária são fundamentais para o seu desenvolvimento. Trata-se de acreditar e, também, de desejar que a criança cresça com maior autonomia, pois ao sair mais cedo do núcleo familiar e passar mais tempo fora, se tornará mais independente.


Há algo, entretanto, que precisa ser ressaltado: a responsabilidade pela educação dos filhos é dos pais. Atualmente, observa-se uma tendência no sentido de delegar e transferir tudo para a escola, um risco que parece aumentar quando a criança passa lá um tempo maior. A educação é, ao mesmo tempo, tarefa e privilégio da família, função que não pode substituída por nenhuma escola, por melhor que seja, em meio período ou tempo integral. Assumir essa responsabilidade faz toda a diferença. Quando os pais compreendem isso e têm, sobretudo, consciência e clareza quanto ao seu papel na educação, tudo se torna mais viável e tranqüilo.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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