Quarta-feira, 27 de julho de 2016
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Aprenda sobre crianças e masturbação

Por Carla Oliveira *


Ao ver o filho pequeno manipulando seus órgãos genitais, muitos pais não sabem como agir. "Será que ele está se masturbando? Isso é normal?" Leia aqui as respostas para essas dúvidas.

Desde que a criança nasce, sente necessidade de tocar seu próprio corpo, afinal, tudo é novidade para ela. Da mesma forma que coloca seus pés e mãos na boca, vira-se de um lado para outro, o bebê também pode tocar em seus órgãos genitais, principalmente a partir de um ano e meio de idade, quando começa a usar as mãos para interagir com o mundo.


Porém, esse ato não pode ser considerado uma masturbação. "A masturbação inclui uma intenção erótica que só aparece na puberdade, quando os hormônios sexuais masculinos e femininos começam a atuar no corpo", explica o psicólogo e orientador sexual Mauricio Torselli, do Instituto Kaplan, em São Paulo. Ele também ressalta que as crianças não tem a mesma conotação sexual do adulto nessa manipulação, apenas o prazer de estarem descobrindo seu corpo.

Sem fazer escândalo!

Além de manipularem seus órgãos genitais com as mãos, as crianças também podem usar outros métodos. Entre as meninas, é comum roçar um bichinho de pelúcia entre as pernas ou sentar-se sobre o braço de um sofá, realizando movimentos pendulares.


Se um dia você flagrar seus filhos em uma dessas situações, não é preciso ficar preocupada. Tente não interferir, e muito menos os repreenda ou dê bronca. As crianças não entenderão o motivo e poderão se sentir culpadas. E não há razão para que se sintam assim, pois estão fazendo algo absolutamente normal.


"As crianças estão simplesmente brincando com uma parte do corpo sensível, como outra qualquer, que é gostoso. Quando o adulto coloca a conotação de proibido, sujo, dá-se o conflito - se por um lado é bom, por outro é errado. É do conflito que nasce a culpa", explica Mauricio. De acordo com o psicólogo, no futuro isso pode levar a compreensões equivocadas sobre sexo e masturbação, que podem ser a origem de muitas das disfunções sexuais.

Quando interferir

Se a criança estiver se manipulando em locais inadequados tais como a sala ou até mesmo a escola, em frente a outras pessoas, os pais devem explicar que, apesar de gostoso, isso deve ser feito em um ambiente privado. "Exemplos podem ser interessantes para mostrar a ela que existem lugares certos para fazer as coisas. Diga a ela que pode assistir televisão em casa, mas não na escola; pode usar maiô na praia, mas não na cidade e assim por diante", ensina Mauricio.


Outro momento que merece uma intervenção é quando os pais percebem que a criança se manipula o tempo todo. Nesse caso, ela pode estar querendo, dessa forma, chamar a atenção dos pais, dos professores ou de outra pessoa. Ou então pode ser algum tipo de coceira genital que acaba sendo confundida pelos adultos. "Por isso, em casos de manipulação compulsiva, deve-se antes de tudo perguntar à criança se está coçando e, em caso positivo, levá-la ao pediatra para uma avaliação e tratamento", avisa o psicólogo.


A partir dos 4 ou 5 anos, é normal que as crianças comecem a ter curiosidades a respeito do outro sexo e por isso podem querer manipular os órgãos genitais uma da outra. "Se elas estiverem em um ambiente adequado e o adulto conseguir se conter, o ideal é não interferir. O que não pode é ficar espiando, ou fazer escândalo", explica Maurício. "Porém, não é adequado quando as crianças imitam práticas sexuais de adultos - sexo oral, por exemplo. Nesse caso, os pais precisam ser orientados por um psicólogo ou orientador sexual", alerta Mauricio.


Entre os 7 e 10 anos, as crianças deixam a manipulação um pouco de lado, pois já conhecem seu corpo e o do outro também. Mas, com a puberdade, o interesse pelo estímulo genital volta, desta vez com conotação de masturbação. "O significado é completamente diferente, por todos os motivos acima explicados e também pela possibilidade que o adolescente desenvolve - e que a criança não tem - de fantasiar, de desejar sexualmente, de sentir excitação sexual, de atingir o orgasmo, de ejacular, etc", conclui Mauricio.


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