Segunda-feira, 29 de maio de 2017
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O álcool e a moçada, dupla terrível

Por Lucy Casolari *


Os jovens estão bebendo, bastante e cada vez mais cedo. A oferta é muita, o acesso fácil. Comece já o trabalho de prevenção!

A bebida está rolando solta entre a moçada. Não é difícil ouvir comentários sobre o consumo de álcool por jovens, às claras ou sem muitos subterfúgios, até em bares próximos às escolas, no intervalo das aulas. Ignorando a proibição legal, discotecas, danceterias e bares vendem bebidas para menores de idade, sem maiores cuidados.


Propagandas sedutoras são veiculadas na TV, cinemas e revistas banalizando o consumo das bebidas alcoólicas. Num país tropical como o nosso, os comerciais de cerveja sofisticam-se e competem entre si, brigando por sua fatia de mercado. No verão a loira gelada associa-se a prazer, o que pode ser verdade para os adultos, mas atinge em cheio a moçada.


Além disso, o álcool é tolerado e aceito socialmente. Ninguém se espanta ao ver um garoto com uma latinha de cerveja na mão ou uma menina bebendo um copo de vinho. Os pais, com razão, temem a ameaça da maconha, cocaína, crack e outras drogas consideradas pesadas, mas são complacentes com relação à bebida, até porque esta faz parte da vida social, do churrasco no final de semana ao uisquinho para relaxar. Afinal, quem não tem um caso de porre ocorrido na mocidade para contar? Realmente, se os adultos não consideram o álcool uma droga fica complicado esperar que os jovens o façam.

Ah... é só bicadinha...

Os primeiros goles, que há uma década aconteciam por volta dos 15 a 16 anos, atualmente já ocorrem com 53% dos adolescentes entre 10 e 12 anos. Pesquisas mostram ainda que a grande maioria entra em contato com a bebida em casa, portanto é necessário que os pais estejam atentos desde cedo para iniciar a prevenção. Limites claros devem ser colocados com maior firmeza, quanto mais nova for a criança.


Dizer não é papel dos pais, e não apenas intransigência careta e gratuita! Não tenha dúvida, é mais fácil acostumar os pequenos do que enfrentar a rebeldia dos adolescentes. Isso vale inclusive para aquela bicada na sua caipirinha ou cerveja com a desculpa de que é para acostumar com o gosto.


O cuidado e a proteção dos filhos são funções dos pais. No caso das drogas, a proibição representa exatamente isso. Quanto mais tempo você conseguir mantê-los longe da bebida melhor. Eles vão tentar dobrá-lo, fazer cara feia, dizer que os pais dos amigos permitem e usar de todos os argumentos para tirar você da sua proposta, mas é preciso ser firme, ainda que a sua cerveja esquente...

Exemplo é fundamental

Estudos comprovaram que o combate ao alcoolismo deve ser iniciado em casa. A maioria dos jovens com alto grau de dependência começou o consumo em família. É grande o número de filhos dependentes graves, cujos pais têm problemas de alcoolismo. Segundo alguns estudos, há um componente genético que colabora com o desenvolvimento da doença. Não se espante com a terminologia, pois o alcoolismo é considerado doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Famílias em que esse problema é presente em avós, tios ou pais têm mais chances de se defrontar com a dependência dos jovens. Além disso, o ambiente familiar e social é um fator importante.


O hábito de usar a bebida para aliviar a tensão, por exemplo, é um comportamento aprendido em casa, e é aí que as coisas se complicam. A questão não está em abrir uma garrafa de vinho ao jantar ou na cerveja do final de semana, mas sim em precisar de um trago nas situações estressantes, para enfrentar obstáculos ou relaxar do dia estafante. A adolescência é uma fase complicada e o álcool não pode assumir o papel de facilitador, no sentido de ajudar os jovens a lidar com suas dificuldades. Se os pais fazem isso, é provável que os filhos repitam esse comportamento.


Procure ser coerente. Discurso e ação devem combinar entre si, pois a moçada aprende não só através das falas e conselhos formais, mas - também e principalmente - a partir dos modelos concretos vivenciados no dia-a-dia. Exemplo é fundamental, fique atento, inclusive, para comentários ambíguos envolvendo questões relacionadas ao álcool: as crianças tudo registram...

Excessos e cuidados

Diante desse panorama, cabe lembrar ainda que, se é grande a quantidade de adultos que perdem o controle após alguns goles a mais, o que dizer da moçada com o seu metabolismo ainda em formação? Os excessos alcoólicos são responsáveis, até, pelo alto índice de acidentes fatais no trânsito, o que é uma ótima razão para alertar seu filho adolescente para que, de forma alguma, aceite carona com um amigo que bebeu.


As estatísticas mostram, também, que o álcool está presente, de forma expressiva, nos traumas físicos, brigas, mortes violentas e suicídios. Todo esse quadro, mesmo sendo assustador, não atinge a onipotência da moçada. Sabe como é... de acordo com eles, isso só acontece com os outros, não é verdade?


Além do fascínio que a bebida representa para os jovens, ainda há a pressão do grupo. Para não se sentirem por fora, acabam entrando no jogo. Com receio de serem chamados de pirralhos, não enfrentam os companheiros. Daí para chegar de pileque em casa falta pouco, muito pouco mesmo...


Se isso acontecer, espere seu filho estar totalmente sóbrio para ter uma conversa. Nem tente entrar num bate-boca desgastante enquanto o comportamento dele estiver alterado. Esse papo precisa ser franco e aberto. Evite o tom moralizante e procure passar informações consistentes a respeito dos efeitos do álcool sobre o cérebro e o organismo em geral.


Enquanto for possível, acompanhe a garotada até as festas, leve-os e busque-os e, se vierem com outro pai, espere por sua chegada em casa e observe o seu comportamento, isso vai dar pistas sobre a presença de bebidas à disposição, ou levadas por algum convidado.


Mais importante do que essas orientações e cuidados possam sugerir, é fundamental manter, sempre, um canal de comunicação aberto com seu filho, desde pequeno. Procure, sempre que possível, conversar sobre o cotidiano dele, suas amizades, problemas na escola e outros tantos assuntos que possam surgir. Ao invés de falar, tendência de muitos pais, procure ouvi-lo, pois somente assim você poderá perceber suas dúvidas e angústias e se transformar no tão necessário apoio para sua complicada e difícil passagem da infância para a vida adulta.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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