Sábado, 22 de fevereiro de 2020
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Sua criança segura nas ruas, passo a passo

Por Beatriz Camargo *


Mal os pequenos começam a andar e já estão saindo por aí... A rua apresenta diversos perigos, por isso é bom educá-los desde cedo para essa rotina.

Assim que começa a sair de casa, seja no seu colo ou andando, seu filho é "apresentado" à vida real. Carros, ônibus, caminhões, bicicletas, muitos pedestres andando: este é o ambiente em que vai viver pelo resto da vida. Desse modo, é importante que aprenda a agir adequadamente, para garantir a própria segurança. Aos poucos o pequeno aprenderá atravessar a rua, não conversar com estranhos, chamar a emergência quando necessário (pelo número de telefone 190) e ser um bom pedestre.


Não há uma idade certa para que ele comece a andar sozinho. Mas você deve prestar atenção na forma como seu filhote se comporta quando está acompanhado e se perguntar se ele realmente tem maturidade para enfrentar o mundo sem "anjo da guarda".


Há diversas maneiras de ensinar seus filhos a se comportarem fora de casa. A conversa sobre os "perigos da rua" deve ser dosada de acordo com a idade da criança e sua personalidade, para não assustá-la. Não é preciso que ele aprenda tudo de uma vez. Vá aos poucos, sem "pegar pesado". De vez em quando repita o que já foi dito, para que seu filho grave bem suas palavras.

Crianças pequenas, cuidado maior

As crianças até no mínimo 3 anos de idade nunca devem estar desacompanhadas, principalmente fora de casa. Muitas delas têm o ímpeto de atravessar a rua correndo, ou correr atrás de algo que chame a atenção (um balão colorido, uma pomba...) sem olhar em volta. O psicólogo infantil Gery LeGagnoux, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, ensina: "Ande sempre de mãos dadas com seus filhos. Diga a eles que, se correrem, você terá que segurá-los com força, mas se pararem quando você mandar, poderão circular com mais liberdade. Isto costuma funcionar porque crianças dessa idade querem ser mais independentes".


Se você acabou de levar um susto com seu filho - que quase foi atropelado, por exemplo - e briga com ele, é melhor que repita o discurso sobre segurança depois que conseguir recuperar a calma. O choque que você levou também o deixa assustado, fazendo-o perceber o perigo. Mas a informação fica gravada na memória dele com mais eficiência se você conversa com tranqüilidade.


Como as crianças nessa idade também estão aprendendo as cores, trate de associá-las às mudanças do farol de trânsito e de pedestres: vermelho significa "pare" e verde significa "siga". Com essa espécie de jogo, seus filhos irão aprender rapidamente e se divertindo. Por trás da brincadeira, eles estarão treinando para serem pedestres conscientes no futuro.

A partir dos quatro anos: num mundo de estranhos

Quando começam a memorizar uma infinidade de informações - como o que os pais fazem e onde trabalham - os pequenos podem acabar revelando certos "segredos" para estranhos, principalmente se forem desinibidos. Você precisa orientá-los a não conversar com ninguém que não conheçam bem, mesmo que a pessoa pareça gentil. Eles devem aprender a confiar apenas em pessoas próximas e/ou "uniformizadas", como policiais, guardas, bombeiros, entre outros.


Ensine a seu filho como agir caso ele se perca de você em lugares públicos, como supermercados, shoppings e praças. Oriente-o para que não se desespere e procure funcionários do local caso isso ocorra (diga que ele será levado a um ponto de encontro, aonde você irá buscá-lo).


Aos 5 anos de idade, seu pequeno pode ser preparado a ligar para a emergência. A polícia ensina que se a criança - ou qualquer outra pessoa - estiver em perigo, ela precisa chamar um adulto. Se não houver nenhum por perto, ela deve ficar calma, discar 190 e contar para a atendente o que está acontecendo.

Para "bater as asas" é preciso segurança

Mesmo que seu filhote já esteja maduro para sair sozinho e que seu bairro seja tranqüilo, convença-o a manter-se numa área próxima de casa, para que se familiarize com as regras mais facilmente. Além de saber andar desacompanhada, a criança deve aprender, também, como entrar no ônibus - escolar ou de linha - apenas quando este estiver totalmente parado. Dentro do veículo, oriente-a a não colocar a cabeça ou o braço para fora da janela e evitar ficar em pé com o ônibus em movimento.


No caso do ônibus escolar, pergunte a seu filho se, no caminho, o motorista corre muito, dá freadas bruscas ou grita com ele. Essa é a única forma de saber se ele está realmente seguro nessa condução. Se o ônibus possuir cinto de segurança, ele deve usar sempre!

A idade certa depende de cada caso

Para saber se já está preparado para sair sem você, preste atenção em como ele se comporta fora de casa. Uma dica: pergunte a ele como fazer para, por exemplo, buscar a bola na rua, e veja como responde. Ou - ao andarem juntos - peça que lhe ensine a atravessar a rua. Segundo Marilene Grandesso, terapeuta familiar em São Paulo, "depende da idade psicológica da criança. Mas há outros fatores: ela anda bastante com a mãe pelas redondezas? A região é tranqüila ou movimentada? A criança é atenta ou muito distraída?". Enfim, fica a seu critério julgar qual será o momento, já que cada caso é um caso.


Confira algumas dicas básicas fornecidas pelo DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito):


  • se possível, faça com que seu filho brinque longe da rua, onde correrá menos riscos de se distrair e não enxergar os carros passando;
  • nada de se esconder atrás ou embaixo de qualquer veículo;
  • se a bola for para a rua, oriente-o a olhar para os dois lados antes de ir pegá-la;
  • não permita que ande de bicicleta nas ruas ou pelas calçadas, apenas na ciclovia ou em parques e praças. E jamais deixe que saia sem capacete!


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