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As causas do aborto repetitivo

Por Carla Oliveira * em 13/02/2003


Desejar muito um filho, mas não conseguir levar a gestação adiante é algo que traz angústia e tristeza. São muitos os fatores que provocam abortos seqüenciais. Entenda porque isso acontece.

O aborto de repetição é caracterizado quando há perda de três gestações seguidas, com o mesmo parceiro. Se a mulher tem mais de 35 anos, dois abortos em sequência já podem indicar o problema. O aborto pode ocorrer até a vigésima semana de gravidez, mas normalmente ocorre antes de completarem 12 semanas. Cerca de 0,5% dos casais sofrem com esta dificuldade.


Culpa, angústia e ansiedade são sentimentos que tomam conta de quem passa por essa situação. O sofrimento aumenta cada vez que ocorre um aborto e o tão esperado filho não chega. "Enquanto as pacientes não têm seu filho em casa, em seus braços, elas não têm descanso, seja físico ou emocional", relata o ginecologista e obstetra Ricardo Barini, especialista em infertilidade da Unicamp.


Mas, não é preciso entrar em desespero. A grande maioria dos casos tem soluções simples. Leia, abaixo, a relação de causas possíveis e como tratá-las. "Vale lembrar que esses problemas não são excludentes, que uma mulher pode apresentar mais de um fator ao mesmo tempo", alerta o especialista.


Malformações fetais


As malformações correm quando há alterações cromossômicas no feto, e isso pode acontecer independentemente dos pais serem normais. Apenas 4% dos casos de aborto de repetição são causados por isso. "Não há tratamento específico, apenas um aconselhamento genético que vai estimar o risco de ocorrerem novas perdas nas gestações seguintes. Para isso, é fundamental que se faça o diagnóstico genético do feto abortado", explica o Dr. Ricardo. Nesses casos, o casal também deve se submeter ao exame genético.


Fragilidade do colo uterino



Às vezes pode ocorrer uma fragilidade do colo uterino, que não consegue segurar o peso da gravidez. "A causa para essa fragilidade pode ser congênita ou uma conseqüência de traumas sobre o colo do útero - que podem acontecer numa curetagem, por exemplo. É mais freqüente após a 16ª semana de gestação e a perda não provoca muita dor", explica o Dr. Ricardo.


Este problema pode ser diagnosticado antes da gravidez, com um exame chamado histerossalpingografia, ou durante a gestação, por meio de um ultra-som. Para solucioná-lo, é colocada uma sutura que mantém o colo do útero fechado e a gestante deve ficar em repouso relativo. "A sutura é retirada e a paciente pode até tentar o parto vaginal. O resultado é excelente", ressalta o especialista.


Inadaptação imunológica


O feto tem 50% da carga genética da mãe e 50% do pai. Em função disso, o feto é interpretado como um corpo estranho para o organismo da mulher no início da gravidez. "A mulher precisa dar um `visto de permanência´ para este diferente corpo. Esse processo se inicia com o reconhecimento dos antígenos paternos, seguido da produção de anticorpos cuja função será a de suprimir a resposta do sistema imunológico da mulher contra o feto", esclarece o Dr. Ricardo.


Quando este reconhecimento não funciona adequadamente, o organismo da mulher vê o feto como um agente agressor e produz substâncias que impedem o desenvolvimento da placenta e do feto, provocando o aborto. Essa causa é chamada aloimune e é responsável por cerca de 85% dos casos de abortos de repetição.


O diagnóstico deste problema é feito com um teste chamado prova cruzada ou "crossmatch", no qual se verifica se a mulher produz os anticorpos que reconhecem os antígenos paternos. Se isso não acontece mesmo depois dela já ter engravidado mais de uma vez, está detectado o problema. O tratamento consiste em imunizar a mulher com as células brancas - os linfócitos - do marido. Depois disso, o teste da prova cruzada é repetido. Se estiver tudo certo, a mulher poderá tentar uma nova gravidez. Este tratamento tem resultados positivos em 81,9% dos casos, na primeira tentativa.


Disfunções hormonais


A causa hormonal mais freqüente é a chamada fase lútea deficiente. "Nesse caso, a mulher produz menos progesterona do que seria necessário para manter a nutrição adequada do endométrio nos primeiros meses de gravidez", explica o Dr. Ricardo. O tratamento se faz com indução da ovulação ou reposição de progesterona até o terceiro mês de gestação. Entre 20 e 25% dos casos de abortos de repetição têm como causa a fase lútea deficiente.


Outra causa hormonal é a hiperprolactinemia, um aumento da dosagem de prolactina no sangue da mulher que pode interferir na ovulação ou mesmo causar a fase lútea deficiente. O tratamento é simples, por meio de medicamentos que reduzem a liberação da prolactina.


Durante a gestação também podem ocorrer também alterações na glândula tireóide, como o hipo ou hipertireoidismo, levando a abortos recorrentes. O tratamento para cada problema é específico.


Doenças autoimunes


Algumas pessoas podem desenvolver anticorpos contra seus próprios órgãos ou tecidos. Isso pode passar despercebido até que ocorra uma gravidez. O tratamento dependerá da origem do problema.


Uma das alterações autoimunes mais freqüentes é a síndrome dos anticorpos antifosfolipídicos, em que o organismo da mulher produz anticorpos que aumentam a coagulação, podendo induzir a formação de trombos na placenta. A gestante que apresenta esse problema recebe um tratamento à base de medicamentos e injeções diárias de anticoagulantes.


Trombofilia hereditária


Ocorre quando a mulher tem alterações genéticas que predispõem a trombose, problema que pode prejudicar o desenvolvimento do feto e até provocar um abortamento. O tratamento pode ser feito pela simples ingestão de aspirinas ou pelo uso de anti-coagulantes, dependendo do caso.


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