Segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
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Você sabe onde está o seu filho?

Por Stephanie Kim Abe *


Seu filho adolescente saiu para uma “balada” com os amigos – como você lida com isso?

“Sou uma mãe nada liberal”, relata Rosemeire do Carmo Vidói, professora e mãe de Laurie Ellen e Thiago. “Eu sempre fui muito rigorosa, porque a gente vive em um mundo que não dá para soltar os filhos. O que me preocupa são as companhias, porque a gente sabe os filhos que tem”, acrescenta ela. Já Sonia Mesquita Bacchi, assistente social e mãe de Flávia e Fabiana, acredita que “tem que dar liberdade sim. Quando a gente reprime muito, na hora que o filho consegue sair sozinho, ele quer fazer tudo o que tem direito”.

Amizades, confiança, violência... tudo isso pesa na hora dos pais lidarem com uma prática que começa a fazer parte do cotidiano do filho na adolescência: sair para se divertir sozinho. Essa fase é complicada não só porque é difícil entender as vontades dos filhos, mas também por causa das inseguranças que os próprios pais têm em deixá-los conquistar sua liberdade. Saiba como agir com firmeza nesses casos, sem, no entanto, perder a confiança de seu filho.

Deixar ou não deixar, eis a questão

“Tudo depende dos valores de cada família”, é o que diz a psicopedagoga Teresa Helena Schoen-Ferreira, do setor de Psicopedagogia do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Não há uma regra comum sobre que tipo de lugar os pais devem permitir que o filho freqüente ou com que idade. Os pais têm autonomia sobre a educação de seus filhos e são eles que decidem se os adolescentes estão preparados para ir a uma balada ou ao cinema sem a companhia paterna. “Tem filho que merece mais liberdade e têm outros que não”, explica a psicóloga e terapeuta familiar Suzy Camacho, autora do livro "Guia Prático dos Pais" (1998).

O importante é que vocês estejam seguros de suas decisões. Vocês não são obrigados a explicar ou justificar suas escolhas aos filhos, mas é sempre bom manter o diálogo e saber ouvi-los antes de tomá-las unilateralmente – conhecer os argumentos deles pode ser uma boa forma de entendê-los e não se tornar retrógrado.

Conheça e mantenha contatos

A melhor maneira de tomar uma decisão justa e segura é procurar conhecer os lugares que o seu filho deseja frequentar. “Eu primeiro ia conhecer o estabelecimento para ver se o ambiente era legal”, relata Rosemeire. Com a internet é mais fácil conseguir visualizar o tipo de lugar, através dos sites dos próprios estabelecimentos, e ler críticas sobre eles em sites de entretenimento (como o Guia da Semana).

Estar sempre em contato com os pais dos amigos de seu filho é fundamental não só para conhecer mais a fundo a família deles como para compartilhar dúvidas sobre o local onde os adolescentes pretendem passar o tempo. “É importante conhecer esse grupo de amizades do filho e ter o telefone não só dos amigos, mas também dos pais deles”, explica Schoen-Ferreira.

Vale também consultar parentes – as impressões pessoais do irmão mais velho ou do primo contam mais do que as achadas na internet.

Cuidado com as reações

Mesmo que não concorde com nada do que ele está falando, ouça o pedido do seu filho atentamente e procure reagir com cuidado. Menosprezá-lo ou ignorá-lo pode acabar com a confiança e sinceridade que ele tem com você, já que, se está pedindo permissão, é porque ele considera que você irá avaliar o caso e deixá-lo sair. “Os pais não devem ser preconceituosos com os lugares e devem ter cuidado com a reação, pois é ela que inibe o filho”, acredita a psicóloga Camacho. Caso não queira permitir que saia, você deve dizer que entende a vontade de seu filho, mas que não acredita que o lugar seja apropriado para a idade dele – principalmente se ele estiver abaixo da idade mínima permitida.

Esteja preparado para ouvir a famosa frase: “Mas o pai do meu amigo deixa, por que você não?”. Não se deixe levar por esse apelo – cada pai decide o que é melhor para o seu filho e ponto final. Para amenizar a situação, faça outra proposta, sugerindo uma alternativa para a saída do seu filho. “Estabeleça que não o está impedindo de fazer o que quer, apenas que é preciso fazer escolhas mais apropriadas”, diz Camacho.

Controle mínimo

Não é porque ele está saindo sem os pais que não tem que dar satisfação ou que pode fazer o que bem entender nesse tempo fora de casa. Para garantir a segurança dos seus filhos, estabeleça regras, horários e lugares certos para quando for deixá-los ou buscá-los. “Eu ficava esperando ela chegar com lanchinho pronto, para ela me contar as coisas e a gente bater um papo”, conta Sonia. O celular, nesses casos, é um ótimo auxiliar na mudança de programas.

Não confunda, porém, “monitoramento” com “vigilância”. Além de ser desnecessário, ficar ligando a toda hora irrita tanto o filho quanto os pais. “Se a mãe liga a toda hora, quando o filho olha o celular, diz ‘Ah, é a minha mãe de novo!’ e desliga”, justifica Schoen-Ferreira. Uma alternativa para as ligações pode ser o envio das mensagens – é mais simples e não interrompe tanto quanto o toque do celular. “O filho pode não gostar no começo, mas no fundo sabe que alguém está se preocupando com ele”, diz Camacho.

E se mentem?

Antes de sair castigando, proibindo outras saídas ou cortando o acesso à internet porque descobriu que seu filho mentiu, procure entender a situação. É comum o adolescente não ter feito de propósito, mas sim ignorado a necessidade de informar uma mudança de planos. “É preciso analisar se a mentira foi culpa da inexperiência do filho ou dos pais, verificar quem falhou”, explica Schoen-Ferreira.

Um exemplo típico é o filho ter dito que ia ao cinema em determinada sessão e, por causa da falta de ingressos, ter assistido a sessão seguinte, sem avisar a mudança de horário para os pais. Se o combinado saiu errado, é preciso identificar o erro e conversar com o seu filho sobre isso. “A regra deve existir. Se de fato ela foi quebrada, deve-se sim deixá-lo de castigo”, diz a psicoterapeuta.

Mas cuidado: a punição deve estar de acordo com a situação, e não com o seu nervosismo ou a sua irritação. Procure se acalmar antes de aplicar o castigo. Para a psicóloga Camacho, “se o seu filho respeita o combinado, significa que ele é confiável. O importante é que ele entenda que liberdade vem com responsabilidade”.

Seguir as dicas e recomendações dos especialistas é uma maneira segura de lidar com essa fase, mas não é garantia de que não haverá brigas ou caras emburradas com proibições e desejos não satisfeitos. Cada adolescente e cada pai reage de uma maneira a uma determinada ação e é essa previsão que não tem como ser feita. “A verdade é que não tem diploma para isso – cada um é um caso diferente”, relata Rosemeire. Sonia também comprova: “não há uma metodologia da criação. Vai muito de cada família”.

Soltando “devagarinho”

Algumas dicas que lhe ajudarão a saber melhor onde foi ou está o seu filho:

- Por mais conveniente que seja deixar o filho dormir na casa do amigo depois da balada, procure sempre buscá-lo nos lugares – assim, dá para aproveitar o caminho de volta para conversar sobre como foi a festa, como estava o ambiente, qual a impressão dele sobre a saída etc.

- Sempre receba seu filho acordado quando ele chegar em casa: note como está a maquiagem da menina, as roupas do garoto, o hálito e outros indícios de sua aparência.

- O celular não foi feito para que você importune o seu filho a cada 5 minutos. Os pais não precisam saber de tudo, somente das coisas importantes. Faça ligações apenas para confirmar horários e locais ou avisar sobre mudanças de planos.

- Combine com o seu filho um código que signifique “perigo”. Uma frase como “Você vai ao médico amanhã?” é uma boa forma de perguntar se há algum problema, sem que ele se sinta constrangido entre os amigos em revelar algo.

- Estabeleça “metas” para ele, como “Quando você fizer 15 anos poderá ir à balada”. Cuidado para não enrolá-lo – se o combinado foi certa idade, esteja pronto para cumprir com a sua palavra no tempo determinado.


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