Sexta-feira, 22 de setembro de 2017
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A importância do sim

Por Roberto Cooper *


Fala-se muito da importância de impor limites e dizer não aos filhos. Mas, às vezes, é preciso também dizer sim! Saiba mais!

Quando se trata de educar filhos, uma das primeiras coisas que aprendemos é que limites devem ser impostos pelos pais. O não passa a ser a palavra mais importante no estabelecimento de limites. Esse assunto é conhecido de todos, assim como suas dificuldades práticas e as conseqüências que a falta de limite pode gerar no comportamento de futuros adultos.

Como pai de uma jovem hoje de 21 anos, penei muito para aplicar todos os nãos necessários. Certamente não apliquei todos que deveria, mas suponho que não deixei passar nenhum não importante. Alguns doíam muito, outros nem tanto. Mas todos foram necessários! Estou convencido da importância de limites bem definidos, desde o início da vida de nossos filhos.

Se não fizermos isso cedo, não faremos mais tarde e conviveremos com tiranos implacáveis dentro de casa. Pior, no afã de dobrar o déspota que habita conosco, concedemos cada vez mais, apenas para descobrir que a tirania piora a cada concessão.

O pedido desesperado de limites, feito através de confrontações, desafios, provocações, nem sempre é entendido pelos pais, que ouvem o oposto ou então se sentem culpados (com ou sem razão) e não confrontam seus filhos.


Impor limites significa aceitar serenamente que seremos "odiados" por nossos filhos. Dirão coisas horrorosas para nós, numa tentativa desesperada de que caiamos na armadilha de respondermos na mesma moeda! Há que se fazer um exercício de surdez seletiva e paciência tibetana, a cada não dito e implementado.

Quando dizer sim?

Pouco se fala do sim! Na nossa cultura, o sim, o elogio, o reconhecimento, o mérito, são considerados como potencialmente prejudiciais ao desenvolvimento da criança ou do adolescente. Elogiar estraga! Viu, foi só elogiar que aprontou! Expressões que todos nós já ouvimos ou até dissemos. No entanto, o poder de um sim bem dito é tão grande quanto o de um não bem colocado.


Mais, no processo de desenvolvimento, há que haver um equilíbrio entre nãos e sims. Uma educação sem nãos gera adultos com potenciais problemas de integração social, respeito ao próximo, paciência e tolerância. Uma educação sem sims gera adultos inseguros, com baixa autoestima, desconfiados.


Quais os efeitos de um sim bem aplicado? Não falo da posição de uma acadêmico ou pesquisador, não tenho estatísticas para fundamentar o que digo, não fiz estudos com grupos controle, mas, olhando para os adultos jovens que receberam sims adequados, percebo que são mais seguros, inclusive correndo mais riscos com sua criatividade e iniciativa. Sua autoestima é bem desenvolvida e em muito se deve ao reconhecimento que tiveram das boas coisas que fizeram.


Não falo de coisas extraordinárias, falo das coisas ordinárias, corriqueiras que, ao serem reconhecidas, produzem um efeito de reforço positivo em comportamentos desejáveis. Falo de celebrar as coisas simples do dia-a-dia, com uma palavra de estímulo, uma olhar de aprovação ou um abraço carinhoso. Esperar o momento especial, raro, do feito fora do comum, é desperdiçar as inúmeras oportunidades que temos para fortalecer a autoestima e confiança de nossos filhos. Mais do que isso, perdemos nós, adultos, momentos de genuína alegria e orgulho, simplesmente pela crença, ao meu ver equivocada, de que elogio estraga.


Agora, tanto os nãos, quanto os sims, só funcionam se forem sinceros. O radar das crianças é diabólico para detectar falta de sinceridade. Como seu equipamento lógico, racional, ainda não se desenvolveu plenamente, dependem muito mais do que sentem (mesmo sem entender). Cada um de nós tem uma história para contar de quando foi imprensado por filho pequeno em momento de falta de sinceridade.

Assim, um não ou um sim dito mecanicamente será percebido por nossos filhos e poderá ter um efeito muito ruim sobre eles. Digamos mais sims sinceros para nossos filhos e vamos assistir ao crescimento de uma geração que vai se tornar um grupo de adultos menos culpados, mais relaxados, felizes consigo e com a vida.




* Roberto Cooper é médico pediatra de formação. Exerceu a pediatria por 12 anos, foi consultor da Organização Mundial de Saúde e gestor de hospitais públicos e privados. Hoje é executivo.


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